Após quase 27 anos da estreia de seu original, a franquia Pânico está mais viva do que nunca! Chegando em seu 6º longa, a saga se reinventa ao tempo que se mantém fiel a sua identidade, satirizando e homenageando o mundo do horror…só que dessa vez com muito mais crueldade e brutalidade.
Repetindo a direção da dupla Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, que estava presente no quinto filme, “Pânico VI” não é mais ambientada na lendária Woodsboro, agora, os sobreviventes devem lutar por suas vidas em Nova York. Após 1 ano dos acontecimentos do filme anterior, Sam (Melissa Barrera), Tara (Jenna Ortega), Mindy (Jasmin Savoy Brown) e Chad (Mason Gooding) voltam a ser perseguidos pelo Ghostface. No entanto, as regras parecem ter mudado. O assassino tem novos truques na manga e um plano para se vingar.

Há de ressaltar inicialmente que “Pânico VI” se consagra como o filme mais violento da franquia (e talvez o segundo com a melhor – e mais criativa – cena inicial). Não há controvérsias a respeito disso. As mortes são bárbaras, gráficas e sangrentas, elevando a potência o terror slasher que foi construído ao longo de quase três décadas. A elaboração das mortes carregam consigo, em sua grande maioria, a tensão que o gênero proporciona a medida que surpreende com algumas subversões da expectativa da audiência.
Ainda assim, essa surpresa se mantém mais afinco somente nos ataques às vítimas. ´O enredo de “Pânico VI“, por mais divertido que seja, não traz uma novidade. O filme carrega a mesma identidade do seu antecessor, brincando com a possibilidade de dramas semelhantes e utilizando das mesmas piadas e tom cômico. Não é um problema de fato, mas isso faz do filme um pouco mais previsível do que o esperado. Seu trunfo se dá pela crítica as mídias e na criação de fake news para manipular a opinião popular.
A revelação do ghostface por um lado é realmente uma surpresa, no entanto, fica fácil de descobrir “meia verdade” ainda no começo do filme – para os mais atentos. Fica claro que o decorrer da trama, com as fantasias e o suspense por trás de quem podia ser ou não, foi mais atraente do que a revelação em si. Ainda assim, não tira o peso da cena final, que carrega um peso do horror clássico dos anos 90, com monólogos vilanescos e lutas implacáveis/emocionantes.

Apesar de ser brutal, cruel e todos os outros adjetivos já citados, “Pânico VI” perde a coragem que seus antecessores tinham. Tem medo de eliminar personagens queridos, não se arrisca com elenco principal e prefere surfar em mares mais calmos da narrativa, flertando mais com drama do que o terror por muitas vezes. Talvez esse seja o seu maior defeito. Porém, vale se empolgar pela possibilidade da criação de um novo e terrível horizonte para Sam (Melissa Barrera), só essa possibilidade é de abrilhantar os olhos dos fãs.
O retorno de Courteney Cox e Hayden Panettiere é sublime! Embora Cox tenha seu papel reduzido, ao compararmos com sua importância de antes, ela protagoniza cenas icônicas – principalmente a final. Já Panettiere se torna uma peça essencial para o desenrolar do filme, infelizmente não tão bem aproveitada quanto queríamos, mas, com certeza, um adicional bastante intrigante e propício para esta nova etapa. A eterna Sidney Prescott, Neve Campbell, ficou de fora… e infelizmente preciso dizer que sua ausência não causou impacto negativo na trama. Acredito que tenha chegado realmente a hora de dizer adeus a melhor final girl dos anos 90 e deixá-la viver uma vida feliz.

Agora, a respeito do restante do elenco, não espere nada de inovador. O novo grupinho, composto pelos quatro amigos sobreviventes de Woodsboro se mantém dentro do previsto. Meu único desejo como fangirl da franquia seria ver Jenna Ortega consagrada oficialmente como final girl e não a irmã de uma. Potencial a atriz demonstrou ter neste longa… basta o roteiro colaborar na sequência.
“Pânico VI” não é um filme corajoso, nem traz uma versão mais elevada da franquia. No entanto, ainda guarda a qualidade da maioria dos filmes, se mantém fiel a sua proposta, honra a história de Pânico ao fazer uma homenagem dentro de sua trama e, por fim, garante uma diversão do revenge horror do começo ao fim.
O filme estreia nesta quinta-feira, dia 09 de março, nos cinemas brasileiros.
Nota: 3,8/5








