É de comum senso que o maior horror dentre os diversos tópicos que este gênero aborda é o horror real, como invasão à domicílio, stalkers ou invasão à privacidade em geral. O novo longa sul-coreano da Netflix, “Na Palma da Mão“, traz esse medo à tona, da forma mais cruel e atual possível: o que você faria se invadissem o seu celular?
O tópico é assustador quando pensamos na nossa realidade atual. Nossa vida inteira está conectada a todo momento com o dispositivo móvel. Seja nossos gostos e aversões, nossos laços afetivos, nossa vida financeira e nossos segredos. E é por isso que este tema é assustador, porque você chega a conclusão que caso alguém invadisse seu celular, este alguém controlaria sua vida.

“Na Palma da Mão” é baseado no romance japonês de mesmo nome de Akira Teshigawara, com um thriller realista que segue Na-mi (Chun Woo-hee), uma funcionária que perde seu smartphone, que contém tudo sobre ela. Jun-yeong (Im Si-wan) encontra o telefone de Na-mi e o devolve a ela, mas após instalar um spyware. Rastreando sua vida diária, ele aprende o máximo que pode sobre Na-mi – seu paradeiro, hobbies, gostos, vida profissional, finanças e mídia social – e se aproxima dela escondendo sua verdadeira identidade. Enquanto isso, o detetive de polícia Ji-man (Kim Hie-won) encontra vestígios de seu filho em uma cena de crime e investiga secretamente Jun-yeong, suspeitando do pior.
Com um pouco mais de 1 hora e 50 minutos de duração, o filme constrói gradativamente a sensação agonizante de que o pior está por vir. Com a perspectiva do grande vilão, vemos seu plano se desdobrar e a protagonista cair feito um patinho sem ter qualquer dúvida do que pode estar acontecendo. A lógica mora neste filme na maior parte do tempo, fazendo com que tudo se torne crível demais e, até mesmo em alguns momentos, agonizante de ser observado. É capaz que você saia com algumas paranoias após ver o filme.
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Quando observamos o desempenho do elenco é impossível não aplaudir Im Si-wan por conduzir a trama com maestria. O antagonista é sádico, cruel e convincente em seu disfarce. O ator aposta na sua aparência inocente para fazer um contraste com a personalidade grotesca de seu personagem, o que o transforma em um vilão sonso e dissimulado. Definitivamente este gênero é o melhor que ele pode aproveitar seus talentos!
Em contrapartida temos Chun Woo-hee, que podia cair em estereótipos frágeis sul-coreanos mas foi além disso. Sua personagem surpreende pela audácia e sagacidade, ela é destemida e – apesar de ter sido manipulada – consegue se sair bem, sempre um passo a frente de seu perseguidor na reta final. Ambos atores protagonizaram um final de tirar o fôlego, surpreendente, sanguinário e imbatível.
“Na Palma da Mão” é um filme surpreendente! O longa sabe construir uma narrativa envolvente ao tempo que realiza uma crítica social a respeito da nossa nova realidade com os smartphones. Tem ótimos diálogos, personagens bem construídos e interligados entre si, resultando num entretenimento imperdível. Além disso, há de ressaltar que a Netflix fez um ótimo trabalho com a dublagem em português, vale a pena dar uma conferida.
Nota: 4/5








