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CRÍTICA | “O Menu” é um filme delicioso com um sabor ácido

Contando com nomes como Anya Taylor-Joy, Ralph Fiennes, Nicholas Hoult e Janet McTeer, O Menu é um filme de suspense que conta a história de um jovem casal visita um restaurante exclusivo em uma ilha remota onde o aclamado chef prepara um delicioso menu e algumas surpresas chocantes. Ao decorrer dos filmes, e dos pratos, vamos descobrindo os segredos do casal e dos demais clientes da noite.

O Menu não se contenta em ser apenas um filme de suspense, ele também entra na comédia, te fazendo rir seja de momentos de descontração, seja de nervoso. Esse misto de suspense e comédia caiu muito bem para o diretor Mark Mylod, que tem em seu currículo trabalhos como Succession e Game of Thrones. O filme é roteirizado por Seth Reiss e Will Tracy, e tem produção de Adam McKay (diretor de Não Olhe para Cima).

O filme começa de uma forma morna, mas não chata. Ele te deixa curioso te dando pequenos detalhes sobre cada personagem e vai ganhando escalas maiores com o decorrer do longa. Uma ótima sacada foi separar as partes dos filmes tal qual os vão sendo servidos em um restaurante, e a cada prato a trama vai ficando mais complexa e angustiante.

Ralph Fiennes volta a viver um maníaco sádico e é quem guia os tons da trama durante o filme. Anya Taylor-Joy está muito confortável no seu papel de protagonista, e a atriz que ama viver personagens com diversas camadas, nos entrega mais uma vez um excelente trabalho. Nicholas Hoult também engrandece o filme, nos trazendo um personagem completamente destoante da realidade que, propositalmente, nos faz ter um “ranço” por ele.

Por trás de toda a violência e angústia do filme, encontra-se uma crítica social. As 12 pessoas que ingressam no restaurante isolado são pequenas personas da burguesia, cada núcleo demonstra uma parte hipócrita e suja da elite, e o filme deixa bem claro o quanto ele acha a elite suja. Não existem inocentes e não existem pessoas boas quando envolve dinheiro.

O Menu nos oferece um cardápio de reflexões. Ele se propõe a ser uma sátira da alta sociedade e nos entrega uma ótima obra. O filme usa da gastronomia para trazer essa crítica ao capitalismo, com comidas chiques, valores elevados para pratos quase vazios, o longa nos mostra o esvaziamento do sentido das coisas, como hoje degustamos pouco as experiências em prol da imagem. E, apesar da grande crítica ao capitalismo, o filme é feio em Hollywood, um dos grandes centros do sistema economico que tanto critica. Seria O Menu tão hipócrita quantos seus personagens?

NOTA: 4,5/5

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