Sempre quando for questionada sobre qual é o melhor filme de Natal de todos os tempos, ou como demonstrar o significado real da data comemorativa, indicarei “A Felicidade Não se Compra“. Lançado em 1946, o longa com a direção de Frank Capra pode não ter tido o sucesso equivalente a sua importância na época de sua estreia, mas hoje se consagra como um clássico que sobreviveu a virada do século com louvor.
Estrelado por um dos galãs mais carismáticos do cinema da era de ouro James Stewart e pela eterna Donna Reed, o filme carrega alguns clichês conhecidos hoje em dia por nós, devido a grande repercussão de sua história que serviu de inspiração ao longo das décadas.
Na noite de Natal, George Bailey (Stewart), que sempre ajudou a todos, pensa em se suicidar saltando de uma ponte, em razão das maquinações de Henry Potter (Lionel Barrymore), o homem mais rico da região. Mas tantas pessoas oram por ele que Clarence (Henry Travers), um anjo que espera há 220 anos para ganhar asas é mandado à Terra para tentar fazer George mudar de ideia, demonstrando sua importância através de uma projeção da vida de todos de como seria se ele não existisse. (*)

Apesar do maior acontecimento, além de toda simbologia por trás, ser ambientada no Natal, o filme não é como os outros nichados. Durante a maior parte das 2h 09min de duração, observamos a construção minuciosa de George, sua personalidade, sua trajetória, seus sonhos acompanhados do baque da realidade, bem como seu impacto na pequena cidade onde mora.
É impossível não se emocionar observando a história do protagonista. Diante de sua perspectiva, fica claro como ele é diferente dos demais. Perante a a sua situação, de como abriu mão de seus sonhos pelos outros, é inevitável se tornar alguém amargurado. Mas George não. Até o momento em que não vê mais saída, George é o brilho de esperança na vida de muitos, até mesmo nos dias que ele não conseguia enxergar uma saída para si mesmo. Ainda que carregue erros consigo, sua ética e seu caráter sempre se mantiveram intactos. O que contribui para mais a frente sua fácil compreensão de que sua idealização de felicidade não correspondia com a realidade, sem luxos ou viagens, somente o amor e companheirismo de uma vida inteira.
Isso se estende até o fim, quando se intensifica ao observar uma realidade onde ele não existe. Os seus sonhos antigos passam a não ter tanta importância, já que finalmente entende o significado e o poder da família, a valorização da vida de cada um, e, principalmente, a comunhão. Mais natal que isso? Impossível!

Quando observamos a parte técnica do longa é inquestionável, que como a parte criativa, ela é igualmente fenomenal. Como estamos falando de uma obra em preto e branco a escolha da iluminação é de suma importância em momentos decisivos e intensamente dramáticos para a trama, e nunca deixa a desejar, causando os sentimentos necessários conforme a história evolui.
É poesia e esplendor. “A Felicidade Não se Compra” é emocionante, divertido e revigorante. Combinado com atuações excepcionais e uma direção fenomenal, não resta outro resultado além do nascimento de um clássico imortal.
O filme está disponível no Prime Video.
Nota: 5/5