Eike – Tudo ou Nada é baseado no livro homônimo de Malu Gaspar sobre a vida do ex-bilionário Eike Batista. O longa chega aos cinemas no dia 22 de setembro e conta com roteiro e direção de Andradina Azevedo e Dida Andrade. O filme conta a trajetória de Eike Batista e a sua empreitada com a OGX, empresa que o fez famoso na década de 2010 por chegar no top 10 da lista de bilionários da Forbes.
Confesso que nos primeiros minutos de filme, apesar de ter entendido sua proposta crítica ao Eike Batista, fiquei receoso do filme estar aberto à erradas interpretações, já que ele começa mostrando Eike como um grande homem. Porém no decorrer do longa percebemos o real motivo do filme começar assim: Eike é engrandecido para sua queda no filme ter mais impacto ainda.
Eike – Tudo ou Nada traz grandes atores em seu elenco, boa parte originária do humor, como o Nelson Freitas, que interpreta o próprio ex-magnata. Outros nomes se destacam, como Juliana Alves, Thelmo Fernandes, Xando Graça e Marcelo Valle. A escalação de Nelson Freitas não é em vão, o ator consegue colocar a prepotência no personagem, trazendo a grandeza que ele tem (ou que ele acha que tem) ao mesmo tempo em que satiriza essa mesma grandeza. O roteiro o ajuda, trazendo tiradas bem pontuais fazendo uma transição sutil entre o drama e a comédia.
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Eike – Tudo ou Nada segue uma linha única, contando apenas a história da OGX (que pode até ser confundida como protagonista do filme ao lado de Eike Batista), o filme não explora a vida pessoal dos personagens, a exceção de uma cena que fala sobre a vida amorosa de Eike, em que tem o intuito de mostrar como ele era desprestigiado moralmente na comunidade burguesa. Essa cena em questão, e algumas outras ao longo do filme, flerta com um cinema mais experimental, que te surpreende ao aparecer, mas em nenhum momento quebram a dinâmica do longa.
Apesar de ter quase duas horas de duração, o filme parece meio corrido, ele consegue contemplar o auge e a queda da OGX, mas talvez o espectador fique querendo saber mais sobre as tramas paralelas. Um certo personagem em um momento sai da empresa, e apesar da importância dele na trama até ali, não ouvimos mais falar sobre ele depois. A direção executa bem o que propõe e o calibre dos atores ajuda a executar muito bem as ações do filme. Apenas um núcleo, que tem a intenção de mostrar o impacto das ações de Eike nos “cidadãos comuns” não funciona como o filme demonstra que gostaria e fica um gosto de que aquele tempo poderia ser melhor utilizado.
Apesar dos defeitos, Eike – Tudo ou Nada ainda é uma boa obra e traz, até de uma forma debochada, uma figura icônica brasileira que se achava imbatível e teve uma queda vertiginosa. É uma obra bastante divertida que merece a sua atenção.
O filme estreia nos cinemas no dia 22 de setembro.
Nota: 3/5