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PRIMEIRAS IMPRESSÕES | “A Casa do Dragão” não subestima o telespectador e estreia sem medo de impor sua própria história

No último domingo (21) finalmente aconteceu um dos maiores e mais aguardados eventos do ano, a estreia oficial de A Casa do Dragão (House of the Dragon) primeira série derivada do universo de Game of Thrones. E apesar da enorme carga que tinha sobre si, o primeiro episódio conseguiu estabelecer seu próprio universo, suas regras e intrigas no jogo dos tronos.

Quando se pensa em Game of Trones é difícil não associar primeiro a violência explicita, dragões e Daenerys, independente do final amargo que a série deixou, seu legado estabeleceu o que deve ser a força de uma Targaryen. E é seguindo essa premissa que A Casa do Dragão chega em seu primeiro episódio. Se com três dragões Daenerys teve o poder de reivindicar o trono, imagine o que seus originários não poderiam fazer com 10 dragões e o trono de ferro.

A trama acompanha um período da dinastia Targaryen onde Viserys I (Paddy Considine) ocupava o trono de ferro, ao desenrolar do episódio descobrimos que ele tem uma única herdeira direta, sua filha Rhaenyra (Milly Alcock) que como é estabelecido nos primeiros segundos não pode governar já que o trono nunca havia sido ocupado por uma rainha. Assim um segundo herdeiro é apontado pelo pequeno conselho do rei, seu irmão Príncipe Daemon (Matt Smitt) que demonstra um temperamento forte e potencialmente problemático. É então dever de Viserys nomear qual dos dois deverá ser o primeiro na linha de sucessão.

O primeiro episódio intitulado “Os herdeiros do dragão” tem a responsabilidade de reintroduzir um universo quase dois séculos antes do que já estávamos familiarizados, criar sua própria trama, apresentar uma gama de personagens já com intrigas preestabelecidas e preparar o caminho que deverá ser trilhado ao longo da temporada. E assim a série o faz. O roteiro de Ryan Condal (também criador da série) não perde tempo e apresenta logo os principais elementos da trama. Em poucos instantes já fica estabelecida a rivalidade dentre Daemon e Otto Hightower (Rhys Ifans) a mão do rei; a amizade entre Rhaenyra e Alicent Hightower (Emily Carey) e já deixa pequenas fagulhas que podem virar incêndio nessa relação. E por fim a personificação da rejeição que Westeros sente por mulheres no trono, aqui representado por Rhaenys (Eve Best) conhecida como “a rainha que nunca foi”.

É nítido a dose de coragem que o roteiro tomou ao desistir da função de segurar na mão do telespectador e ir explicando todos os pormenores desse ‘casos de família’ aqui esse primeiro episódio apresenta o necessário e deixa a cargo de quem assiste ir decifrando os pequenos nuances que ficam no ar. Seja uma dose de inveja aqui, um desejo de vingança ali ou uma revolta acolá. De certa forma isso faz com que a imersão funcione melhor, e ali durante 65 minutos é impossível não se encantar novamente com toda a densidade desse universo.

O piloto tende a ser um pouco escuro, talvez seja o padrão HBO, e o CGI dos dragões oscila um pouco. A primeira cena consegue ser imponente e realista, mas um pouco plástica. Incomodo que felizmente não se mantem, a cada nova aparição de um dragão isso fica menos nítido e cada vez melhor. O episódio encerra encenando uma ligação entre a história apresentada e as 8 temporadas de Game of Thrones, o que talvez não tenha soado tão natural quanto deveria, é de ver o que o segundo episódio reserva aqui.

É certo que A Casa do Dragão chegou com os dois pés na porta, pronta para introduzir sua própria história e suas tramas sem muito tempo de enrolação e isso é, talvez, a melhor coisa que o telespectador poderia esperar desse primeiro episódio.

O primeiro episódio da série está disponível na HBO Max e novos episódios serão adicionados todo domingo as 22h.

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