CRÍTICA | Trem-Bala traz a adrenalina característica de David Leitch com um grande e surpreendente elenco

A Tribernna assistiu o filme antecipadamente à convite da Sony Picutres

O novo longa da Sony Pictures dirigido por David Leitch carrega todos elementos de um bom blockbuster de ação que o diretor sabe fazer. Conhecido pelos seus trabalhos em Dedpool 2, John Wick e Atômica, o cineasta não é novato quando o assunto é pancadaria bonita de ser assistida. E Trem-Bala entrega isso.

Estrelado por Brad Pitt, Andrew Koji, Joey King, Brian Tyree Henry e Aaron Taylor-Johnson o filme consegue unir um humor bem característico de filmes de ação com uma adrenalina desenfreada. Trem-Bala aborda, à principio, três núcleos distintos de uma mesma história, até que todos tem seus caminhos cruzados no trem-bala Shinkansen no Japão. Pitt vive Ladybug, um assassino azarado que está retornando ao seu trabalho em um péssimo dia para tal, já que ele acaba cruzando com diversos assassinos letais. Kimura (Koji), Príncipe (King), Tangerina (Henry) e Limão (Johnson) são alguns dos assassinos que cruzam o caminho de Ladybug, em uma sequência sangrenta de conflitos intermináveis.

Bullet Train (2022) - IMDb

O começo do longa fica na responsabilidade do ator britânico-japonês Andrew Koji, que carrega, inicialmente, todo o drama intenso de um lampejo de uma história intensa da máfia japonesa. Todavia, o filme muda completamente seu tom dramático com a chegada de Pitt a história. O mais incomum e inesperado, talvez, tenha sido o papel do ator neste filme. Brad Pitt é definitivamente o alívio cômico da trama, enquanto os demais personagens tiveram histórias mais dramáticas para os consolidar como personagens mais intensos, Ladybug foi um personagem caricato, bem namastê e que perdia a mão na piada de vez em quando. 

Por outro lado, a dupla Tangerina e Limão estabeleceram um padrão muito divertido de ser assistido, equilibrando bem o humor surpreendente (quem imaginaria que Thomas, a Locomotiva, nos ensinaria tanto?) com sequências sangrentas e impiedosas, a dupla entregou uma dinâmica inacreditável, com direito a muita emoção que nos deixa com um gostinho de quero mais ao fim.

Por fim, Joey King foi uma adição realmente interessante ao longa, por desempenhar um papel diferente do que estamos acostumados a vê-la. No entanto, ainda falta uma longa estrada para atriz se consolidar como uma vilã atrativa e no nível dos outros personagens em tela. Ocasionalmente sua personagem parecia deslocada, inverossímil e com uma motivação rasa.

Bullet Train' Film: Brad Pitt's Bloody Comedy Thrill Ride -

O roteiro da trama é bem amarradinho, ele consegue criar um espaço confortável para apresentar todos os personagens envolvidos. Conseguindo elaborar não só a conexão entre todos com a história, mas, também, cria uma base sólida para fazer dos personagens mais envolvidos na trama e com uma história mais consolidada. A riqueza de detalhes do elenco principal, com exceção de Brad Pitt, é tão perceptível que não me surpreenderia se futuramente fizessem um spinoff para cada assassino.

A elaboração da história em torno de todo elenco faz com que resolvemos o mistério, que estava diante dos nossos olhos, como um quebra cabeça. Unindo cada história que nos foi dada, cada pista, cada participação até chegarmos ao ápice final. Trem-Bala acaba fazendo parte do roll de filmes de ação que se preocupa mais com a surpresa de um roteiro do que ser somente um blockbuster genérico de ação.

O longa ainda tira um tempinho da sua ação moderna para introduzir algumas ferramentas de clássicos filmes japoneses. Seja em menções ao contar uma história ou em algumas lutas, David Leitch aproveita que o filme está situado no Japão e nos presenteia com espadas de samurai, máfia japonesa e um passado trágico responsável por criar uma sede de vingança incansável (o tipo de clichê japonês que a gente gosta!).

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No decorrer do filme há participações surpreendentes, daquelas que te pegam desprevenidos e arrancam um sorriso. David Leitch soube muito bem conduzir a história de modo com que, ainda que o filme faça parte de um gênero previsível ele nos surpreenda. Ainda assim, sua maior qualidade aqui foi o modo com que soube aproveitar a dinâmica de uma briga dentro do trem para trazer uma experiência visivelmente muito agradável. É possível ver algumas referências de seus trabalhos anteriores, quase como se o diretor estivesse fixando aquilo como sua marca registrada. E isso não é algo negativo! Pelo ao contrário. Leitch pega os pontos fortes de seus trabalhos anteriores e cria sequências que vão fazer você ocasionalmente prender o fôlego ou lembrar do meme do Capitão América.

Trem-Bala é quase uma mistura de Deadpool, Kickass e um filme sobre máfia japonesa. E por incrível que pareça dá certo! Apesar de perder um pouco a mão no seu humor e ter uma antagonista bem fraca, em comparação ao restante do elenco, Trem-Bala é um deleite para quem ama assistir filmes de ação. Acompanhado de um grande elenco, o longa não teme em também ser grandioso, com grandes acontecimentos, grandes explosões, grandes conflitos, grandes reviravoltas e grandes emoções.

O filme estreia nos cinemas brasileiros hoje, no dia 04 de agosto.

Nota: 3,9/5

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