Essa crítica contém alguns pequenos spoilers
Inspirada nas histórias em quadrinhos da dupla lendária Brian K. Vaughan e Cliff Chian, Paper Girls estreou ontem (29) no Prime Video trazendo uma jornada de amadurecimento de quatro pré-adolescentes, enquanto elas vivem uma aventura scifi com direito a viagens no tempo, monstros e o destino da humanidade.
Como a história em quadrinhos, a série começa com o primeiro encontro de Erin (Riley Lai Nelet), KJ (Fina Strazza), Tiffany (Camryn Jones) e Mac (Sofia Rosinsky). Quando as meninas de 12 anos vão realizar seu trabalho entregando jornais no “Dia do Inferno”, primeiro de novembro de 1988, elas acabam vivendo fenômenos sobrenaturais e descobrem que viajaram para o futuro, mais precisamente: 2019.

O drama que envolve todos os 8 episódios é construído de forma gradativa, envolvente e instigante. Usando confrontos com seus próprios “eus” do futuro, as meninas lidam com um futuro que não imaginavam para si, de forma positiva e negativa. E isso, acaba influenciando suas próprias percepções, o que ocasiona em um amadurecimento visível.
O ponto mais alto da produção é definitivamente o elenco infantil. O entrosamento entre as quatro protagonistas, que carregam personalidades totalmente distintas, fornece um entretenimento divertido e inesperado. Seja pelos seus conflitos ou sua cumplicidade que cresce a cada desafio. É realmente uma delícia acompanhar seu crescimento conforme a história se avança, não só o crescimento individual mas como um grupo de amigas.

Ainda assim, não podemos deixar de mencionar que para uma produção de ficção científica Paper Girls é muito precária em seus efeitos visuais, seja eles práticos ou cgi. Em determinados momentos decisivos da trama é preciso contar inteiramente com o desempenho do elenco para fazer com que embarquemos na aventura, porque se depender dos efeitos visuais estaríamos perdidos. O que dá entender é que Amazon Prime gastou todo seu orçamento com a série do Senhor dos Anéis e deixou de lado suas outras produções menores. O que é uma pena! Paper Girls carrega consigo um potencial nível Stranger Things se ganhasse um pouco mais de atenção.
Como adaptação das histórias em quadrinhos, os fãs mais apegados podem se frustrar com algumas mudanças. No entanto, fica perceptível conforme você assiste que os elementos adicionados complementam e acrescentam valor a história. Mas fique tranquilo, os plots principais continuam presentes!

A minha maior preocupação nesse momento é o destino de Paper Girls. Já que a série encerra sua primeira temporada com um grande cliffhanger e sem previsão de renovação de temporada. Fica aqui meu apelo e pedido para Amazon Prime Video: renove e aumente o orçamento!
Paper Girls é daquelas séries que chama sua atenção pela temática scifi, mas te conquista mesmo pelo teor dramático que ela carrega. Com um roteiro rico em diálogos imersivos, a série gera identificação e compaixão a qualquer uma das eras que vemos em tela. Trazendo tópicos importantes a serem debatidos, como racismo e sexualidade, a produção introduz com naturalidade e de modo com que seja impossível não conversar sobre isso, ainda mais na idade delas.
Nota: 4,2/5