A nova série teen da Netflix protagonizada por Lana Condor chegou no streaming nesta sexta-feira (08) com um tema pra lá de bizarro e altamente viciante.
“Boo, Bitch” traz a história das melhores amigas Erica Vu (Condor) e Gia (Zoe Margaret Colletti) que decidem, em seu último ano do ensino médio, viver a vida ao máximo, deixando de ser introspectivas e comparecendo a eventos populares de seu colégio. Elas só não sabiam que no dia seguinte da sua primeira festa, uma delas se tornaria um fantasma.
Apesar de estarmos falando de fantasmas e mortes aqui, “Boo, Bitch” não explora muito o lado sobrenatural da história. A série se desenvolve mais dentro do gênero de comédia-teen; com todos clichês possíveis dentro de histórias colegiais.

Durante seus 8 episódios de 20 minutos cada, a trama consegue construir e solidificar uma amizade muito bonita. Apesar de passarem por conflitos durante seu desenvolvimento, ao fim é a amizade que nos faz emocionar e derramar lágrimas, através de um discurso sentimental e uma despedida agridoce (mesmo que a cena final da festa pós-baile tenha sido uma grande vergonha alheia).
Confesso que o clichê da mocinha se tornar uma popular má me incomodou enquanto eu assistia a série. No entanto, eu não pude deixar de me surpreender com Condor que consegue brilhar em tudo que faz. Faz a gente se apaixonar pela versão introspectiva da Erika e nos faz odiar a sua versão popular. Bem como Colletti que tem o poder de nos conquistar com seu carisma e doçura.
A trama não é inovadora muito menos surpreendente, já que descobri o plot twist no segundo episódio. Contudo isso não estragou minha experiência assistindo os episódios restantes. Na verdade, só me deixou mais animada para ver como seria a conclusão. E fui pega de surpresa com um confronto intenso, injusto e doloroso.
A série ainda tira um tempinho dos dramas fantasmagóricos para explorar a era virtual, repleta de julgamentos e manipulação adolescente. Transformando uma personagem querida em algo que ela temia, um arco conhecido dentro das produções televisivas e cinematográficas, mas que de certo modo funciona para “Boo, Bitch!”.

“Boo, Bitch” é uma obra que não se preocupa com questões que fogem do alcance da protagonista. Mas é bastante clara com as relações e personalidades dos personagens em destaque, o que faz com que a história ganhe uma conexão com o público de forma bem rápida e fácil. Infelizmente, não espere desenvolvimentos mais profundos a respeito da Gia, seus pais, ou até mesmo o interesse amoroso de Erika. Em alguns momentos isso incomoda, fazendo com que a história não ganhe uma profundidade emocional maior e até mesmo sendo acelerada em determinados momentos, ignorando obstáculos que acabaram de ser ultrapassados.
Ainda assim, a série se torna um entretenimento maravilhoso e extremamente divertido. É impossível parar de assistir aos episódios até que você percebe que infelizmente já chegou ao fim. A trama leve e despretensiosa contribui para isso, bem como a fidelidade com que se manteve dentro da sua proposta original.
Com uma trajetória que equivale a uma montanha russa de emoções, “Boo, Bitch” explora o valor de uma amizade, a necessidade de deixarmos nossa marca no mundo para que enfim descobrirmos que basta confiar em si mesmo e valorizar as pessoas que te amam. Um grande clichê! E dos bons! Vale uma maratona no fim de semana para deixar seu dia mais leve.
Nota: 3,8/5








