Se tem um k-drama de 2022 que eu estava com altas expectativas era Woori The Virgin. Desde de seu anúncio, de que realmente haveria um remake sul-coreano de Jane The Virgin (uma das minhas comédias românticas favoritas) — que por sua vez também é uma adaptação da novela venezuelana “Juana La Virgen” — eu fiquei aguardando ansiosamente para ver como a Coréia iria retratar essa história tão inusitada. O que eu não esperava é que o drama que eu mais esperava também seria a minha maior decepção.
O drama tem basicamente a mesma premissa da original, é claro com algumas alterações. Oh Woori (Im Soo Hyang) é uma roteirista assistente que leva a sério seu voto de castidade, ainda que esteja em um relacionamento duradouro com o policial Lee Kang Jae (Shin Dong Wook). Contudo, após uma consulta médica de rotina ela acidentalmente passa por uma inseminação artificial. A história se complica quando ela descobre que está grávida de Raphael (Sung Hoon), um CEO de uma grande empresa de cosméticos e também o homem que lhe deu seu primeiro beijo.
Oh Woori (Im Soo Hyang) e Lee Kang Jae (Shin Dong Wook)
Sejamos honestos o grande problema de Woori The Virgin, a grande razão pelo qual o k-drama simplesmente não funcionou, foi a falta de carisma de Soo Hyang e Sung Hoon. Ambos atores não conseguiram transparecer as emoções e os conflitos necessários para moldar seus personagens que eram tão complexos, e que, em tese, deveriam ser tão amados pelo público.
Enquanto a protagonista deveria ser uma mulher forte e decidida, Woori na verdade foi uma personagem perdida e incapaz de gerar empatia e confiança com o público. Além da sua atuação limitada em algumas expressões, que não geraram nenhum convencimento das situações que ela protagonizava, ela acaba prejudicando núcleos que eram realmente bons, como o da sua família. Em todo arco da história que fazia presente a necessidade de sua liderança na atuação para nos guiar em uma jornada emotiva a frustração tomava conta, porque nada realmente funcionava.
O mesmo se estende para o Sung Hoon, que tenta trazer um humor pastelão (bem novela mexicana) em alguns momentos, mas tudo que causa é vergonha alheia. Sua falta de habilidade de mostrar um passado diferente do seu presente é torturante, não é possível ver uma mudança clara em si, muito menos torcer pela felicidade de um personagem apático.
Oh Woori (Im Soo Hyang) e Raphael (Sung Hoon)
O romance, que é um dos grandes pilares da história, acaba sendo mal desenvolvido, graças a protagonista. Ainda no mesmo sentindo da sua incapacidade de convencer o público, Woori não sabe o que quer, e, consequentemente, não convence o público dos seus sentimentos pelas pessoas que acaba se envolvendo durante os episódios. Ela não sustenta nenhum relacionamento que está inserida, seja com Rafael ou com Lee Kang Jae. Não há uma motivação clara para sentimentos bons e ruins que ela precisa viver, muito menos uma boa performance do elenco.
Apesar do romance ser um dos pilares da história, ele não é o único. Pelo menos não em Jane The Virgin. Contudo, Woori The Virgin não sabe administrar os acontecimentos da obra pelo qual ela é adaptada, se perde em diversos momentos e não consegue desenvolver arcos dramáticos de forma eficiente.
Por outro lado, Woori The Virgin também trouxe algumas coisas boas para a audiência, poucas, mas trouxe. Dentre elas está os pais de Woori, Oh Eun-Ran (Hong Eun-hee) e Choi Sung-Il (Kim Soo-ro), que compartilharam da química que faltou no casal principal. Eram naturalmente hilários, confortáveis em suas interações e nos fez torcer por seu final feliz.
Lee Ma-Ri (Hong Ji-Yoon)
Também se destaca a antagonista Lee Ma-Ri (Hong Ji-Yoon), que teve uma trajetória árdua finalizada com uma emocionante redenção guiada por uma atuação comovente. Ji-Yoon teve tudo que faltou em Soo Hyang, carisma, simpatia, desenvoltura e algo que faça valer a pena torcer.
Quanto a parte mais misteriosa e investigativa do drama, confesso que era um dos fatores que me mantinha mais entretida na história. No entanto, sua conclusão foi apressada, precária e cheia de pontas soltas. Talvez em uma tentativa desesperada de haver uma continuação para que pudessem solucionar as perguntas não respondidas.

O episódio final talvez tenha sido o único momento dentre os 14 que me deixou realmente contente, principalmente pela escolha da narrativa. A montagem dos acontecimentos finais, que nos engana com o futuro da protagonista — quem será que ela escolheu? — instaura a animação que deveria ser alimentada lá no começo.
Woori The Virgin foi uma grande decepção para quem acompanhou Jane The Virgin e para quem nunca viu a série estadunidense. O k-drama teve um ritmo lento e monótono, com personagens rasos e uma atuação vergonhosa. A construção de uma protagonista puritana limitou seu desenvolvimento, e consequentemente a história como um todo. No fim, tudo que nos restou foi uma grande frustração a respeito de uma história que tinha tanto potencial e que foi simplesmente descartada pela falta de um bom roteiro e um preparador de elenco.
E respondendo a pergunta final dos protagonistas: não, eu não quero uma continuação!
O k-drama está disponível no Viki e em Fansubs.
Nota: 1,8/5
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