A Tribernna assistiu o filme de forma antecipada à convite da Disney
Esta crítica NÃO contém spoilers
Enquanto a nova fase da Marvel, nos cinemas e na TV, tenta emplacar uma nova era de super-heróis com tons mais dramáticos, Thor: Amor e Trovão vem para solidificar o que Taika Waititi já havia construído em Ragnarok (2017); um Thor mais carismático, cômico e saído diretamente dos blockbusters dos anos 80.
Ao som de Guns n’ Roses, o quarto longa do Deus nórdico, protagonizado por Chris Hemsworth, conta a história de um herói perdido emocionalmente. Sem saber qual lugar pertence, o herói pega uma carona com os Guardiões da Galáxia até ver que uma asgardiana está em perigo. E assim, parte para uma aventura para deter o ceifador de deuses, Gorr (Christian Bale).

A primeira parte do filme carrega o propósito de nos integrar em três arcos distintos; de Thor, Gorr e Jane. E isso transforma a narrativa em algo mais acelerado, que pontua apenas fatos importantes que gerarão impacto na trama a seguir. Não é algo que incomode a quem assista ao filme, mas pode ser um fator decisivo para quem esperava mais dos personagens inéditos.
Taika Waititi vem com mais liberdade criativa ao contar esta nova história de Thor. Isso transparece através de um humor mais ácido e até satírico quando envolve a reunião dos deuses. O tom do filme se propaga a todos personagens, que se encontram “na mesma página” , o que resulta em diálogos mais fluídos, naturais e dinâmicos.
O drama e o tom mais “obscuro” do filme fica a cargo de Gorr (Bale); que é construído como um vilão com motivações claras e uma áurea assustadora, rendendo ao filme uma pitada de thriller. No entanto, seu peso é minimizado pela falta de tempo de tela. É perceptível que a necessidade de vê-lo em ação, contra os demais deuses, se faz necessária para instaurar o perigo que ele oferece aos mocinhos da trama, para enfim o consagrar como algo temido através de representações gráficas.

Todo arco que envolveu Jane Foster (Natalie Portman) traz a sensação mais primitiva (e nostálgica) de filmes de super-heróis. Alguém cuja vida está por um fio e que graças a um recurso mágico consegue atingir seu potencial máximo, jamais imaginado. Além de Jane ser responsável por auxiliar o desenvolvimento pessoal de Thor, Portman mostra um lado não explorado anteriormente. Confortável em seu novo papel como Poderosa Thor, a atriz se esbalda em um carisma inigualável, com frases de efeitos muito ruins e uma sede de heroísmo que arranca sorrisos de compaixão toda vez que aparece em tela.
Além de toda trama que envolveu Thor e sua perseguição contra o vilão. O filme tenta flertar com algo mais juvenil, dando um certo destaque a herdeiros infantis de personagens famosos e flertando com a esperança de que a nova fase Marvel realmente pode focar na versão adolescente dos super-heróis, como já estamos vendo com Ms. Marvel, América e Kate Bishop.
Thor: Amor e Trovão traz uma energia oitentista mais acentuada no filme. Não só em sua escolha para a trilha sonora, mas também em sua construção na jornada do herói. Apelando muito para o lado do humor inusitado e inesperado, Waititi escolhe abordar alguns personagens de forma exagerada e caricata. Por não se levar a sério, estes artifícios funcionam no filme, que se transforma em algo extremamente divertido, despretensioso e um entretenimento sem igual.
O filme estreia no dia 07 de julho nos cinemas.
Nota: 4/5








