Em um último episódio apressado exibido no final do último mês (30), The 100, famosa e amada série da CW baseada na série de livros de Kass Morgan, encontrou seu final. A eletrizante última temporada conseguiu trazer elementos novos à trama, mesmo com as limitações que sempre a acompanharam.
No ar desde 2014, quem acompanhou a história de Clarke (Eliza Taylor) e seus amigos sabe que os plot twists são uma das maiores marcas da série. Nesse aspecto, ninguém pode reclamar da sétima e última temporada, que contou com uma trama corajosa e cheia de truques e uma narrativa feita para embaralhar a ordem cronológica dos eventos estabelecida na cabeça do espectador. Ainda assim, a série esbarra no mesmo problema que a acompanha desde sempre: recursos limitados que nem sempre permitem os melhores efeitos especiais ou a melhor das caracterizações. Ainda assim, a série “se virou” ao longo dos anos apostando em um roteiro que traz questionamentos sobre a humanidade, desde ética até pensamentos mais básicos sobre civilização. Após tanta guerras, batalhas inevitáveis, o final é uma redenção e uma tentativa da série de enfim mostrar uma humanidade tão sofrida, mas ainda capaz de amar. É também um óbvio recado para nós: é preciso quebrar com o ciclo de violência.
Apesar de continuar abusando (talvez ainda mais nesta temporada) da “suspensão de descrença”, com muitos detalhes que passam despercebidos e coincidências cômodas ao roteiro, além da estranha morte de um protagonista nos últimos capítulos que estranhamente mal gerou consequências parecendo apenas uma vontade do produtor Jason Rothenberg e não um elemento próprio do roteiro, a série manteve seu nível. Aliás, se há um mérito em The 100 é esse: entre tropeços e acertos, a série se manteve num nível muito equilibrado ao longo de toda sua existência, sendo bastante regular em todas as sete temporadas.
O elenco principal já muito bem confortável aos seus personagens continuou conduzindo bem a narrativa nesta temporada e alguns inclusive brilharam na direção de alguns episódios, como é o caso do casal na vida real Eliza Taylor e Bob Morley, intérpretes de Clarke e Bellamy, respectivamente.

Incluindo participações especiais, o último episódio fecha a série com brilhantismo e revisita alguns momentos e personagens. Ao apostar num encerramento mais espiritual, The 100 conclui seu ciclo mais humana que nunca. Ciente de tantas facetas que já foram mostradas e pensadas sobre a humanidade, uma que realize nosso imenso desejo existencialista de pertencimento e de continuidade numa vida pós-Terra parece realmente ter sido muita adequada como toque final. Além disso, ao colocar transcendência e família como escolhas, a série nos dá respostas para várias perguntas e inquietações humanas.
The 100 termina aqui, mas a jornada desses personagens e de todo o público que cresceu junto a série parece estar apenas no início. De uma forma ou de outra, “May we meet again”.
Nota: 3,4/5








