Duas irmãs, Thomasina (Emma Appleton) e Martha “Mars” Hanbury (Stefanie Martini), cresceram isoladas como órfãs em uma casa isolada no interior da Inglaterra. Thom é uma inventora talentosa, criando uma máquina chamada Lola que tem a capacidade de captar sinais de rádio e televisão do futuro.
Com roteiro de Andrew Legge e Angeli Macfarlane, e direção de Andrew Legge, Máquina do Tempo se passa na Inglaterra durante a década de 1940, a Segunda Guerra Mundial está estourando e as tropas alemãs ameaçam invadir a ilha britânica.
Ao iniciar o longa, vemos uma cartela que nos conta que um filme antigo foi encontrado, esse filme em questão é um desabafo/clamor de Mars para Thom, é justamente essa história que assistimos durante as próximas 1 hora e 19 minutos. Andrew abraça a ideia e Máquina do Tempo é reproduzido nos moldes dos filmes da década de 1940, com a imagem preto e branco, ruidosa e sem grandes (aparentes) técnicas de fotografia, já que se trata de um filme caseiro. Ao mesmo tempo que é interessante essa construção de diegese, também é perigosa, já que todas as informações que você precisa passar foram filmadas pela própria personagem.
Outro aspecto interessante que Máquina do Tempo traz é a própria forma de viagem no tempo, na qual as personagens não vão e voltam entre passado, presente e futuro, mas elas visualizam o futuro através das ondas de rádio e TV, prevendo acontecimentos. Porém, quando começam a utilizar as previsões para fins maiores, acabam alterando o futuro que viram na sua máquina, desencadeando tragédias em suas vidas e no mundo.

Se as ideias de Andrew Legge são boas, a execução acaba sendo bagunçada. Esse formato found footage na década de 1940 nos deixa perdido no início, demoramos a reconhecer os personagens e entender a cadeia de eventos que se desenvolvem. Mas ao mesmo tempo o filme nos atiça com os efeitos borboleta das alterações no tempo e o desenvolvimento político nos rumos alterados da Segunda Guerra.
As sátiras colocadas em cima dos alemães soberanos, não apenas em discursos políticos, mas também em produtos culturais, é a parte mais divertida do filme em quesito de comicidade. Em alguns momentos podemos até olhar e dizer “não é possível”, mas ao lembrar de discursos e produções da direita mundial, vemos que é possível sim.

Máquina do Tempo (Lola) tem uma premissa interessantíssima, mas ao assistir ficamos com a sensação de que faltou um afinamento técnico para chamar ainda mais atenção do espectador. O seu contexto político é certeiro pensando em uma ascensão da extrema direita no mundo, não faz um discurso óbvio que o torne massante, mas também não o leva para um nível intelectual que o torne pouco palpável.
NOTA: 3,5/5








