CRÍTICA | O Melhor Amigo: um filme divertido, bonito e sensual

Após uma crise com seu namorado, Lucas (Vinicius Teixeira) resolve viajar para o litoral sozinho. É em meio ao sol, ao mar e à paisagem paradisíaca que ele reencontra com Felipe (Gabriel Fuentes), um colega de faculdade, agora guia de turismo na região. Desejos e sentimentos voltam à tona quando os dois se conectam novamente. Porém, o jeito misterioso de Felipe obriga Lucas a se perder por entre as noites quentes e musicais de Canoa Quebrada/CE.

O filme escrito e dirigido por Allan Deberton (Pacarrete) leva para o litoral nordestino uma divertida e emocionante comédia romântica musical. Deberton carrega seu filme com regionalismos e referências queer brasileiras, o que torna o universo ainda mais lúdico e imersivo. A escolha das músicas com canções populares da década de 1980 são chaves de ouro para nos conectar ainda mais com a narrativa.

O Melhor Amigo traz figuras marcantes do Ceará, como a drag queen Deydianne Piaf (que rouba a cena quando está na tela), mas os seus protagonistas são atores sudestinos. A escolha do Vinicius e Gabriel não é demérito nenhum, ambos entregam personagens muito bem moldados e um trabalho de sotaque de aplaudir de pé. Vinicius Teixeira nos entrega um Lucas inseguro, que quer explorar a vida, mas ao mesmo tempo se sente acolhido na rotina do dia-a-dia, além das suas questões na vida amorosa. Já Gabriel Fuentes traz o Felipe como contraponto, um personagem muito seguro de si, que não tem medo do mundo e não quer se ver preso em um só lugar (físico e emocional).

As questões amorosas do Lucas vão muito além do clichê de um jovem adulto se descobrindo homossexual. Isso já está muito bem estabelecido para ele, os conflitos aqui são mais profundos, de alguém que não consegue se encontrar ao lado do seu atual, mas também não está seguro em se entregar a sua antiga paixão. A comédia romântica desemboca, também, em uma jornada de autoconhecimento.

Como uma boa comédia romântica, O Melhor Amigo toca nos clichês do gênero, consegue se sobressair em alguns aspectos, em outros acaba indo para um lugar comum, mas nada que atrapalhe a experiência do espectador. É o dilema de sempre, clichês estão aí para serem usados, tudo depende da forma que você usa.

Quanto aos atos musicais, eles são bem encaixados na narrativa, fazendo a quem assiste emergir ainda mais no filme. Comparado a outros musicais, O Melhor Amigo traz até poucas músicas, mas isso pode também atrair um público que não é tão admirador do gênero. Além disso, o filme também não faz grandes coreografias para seus atos, diminuindo a complexidade na produção e sendo certeiro no que se propõe a fazer. Obviamente, o ápice do filme é a participação mais especial da Gretchen que coloca todo o seu carisma relembrando sucessos da sua carreira.

O Melhor Amigo é um filme que não tem medo de ser o que é: uma comédia romântica musical nordestina e gay. Carrega várias referências e simbolismos, mas não se sustenta apenas nisso. Allan Deberton desenvolve a sua história com consistência, conseguindo divertir e emocionar o espectador, seja ele nordestino ou de outra região do país, LGBTQIAPN+ ou heterossexual.

O lançamento da Sessão Vitrine Petrobras, chega aos cinemas de todo o Brasil em 13 de março

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