CRÍTICA | “Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa” resgata e relembra como é bom ser criança!

Quando, em 2019, os brasileiros puderem reviver os momentos de ouro da sua infância ganhando vida no cinema através dos olhos de Daniel Rezende, o brasileiro que cresceu aprendendo a ler os gibis da Turma da Mônica pode mergulhar na nostalgia, enquanto sentia orgulho de apresentar a nova geração a turminha representada da melhor forma. Contudo, após gosto amargo que a Turma da Mônica Jovem deixou em janeiro de 2024, com um filme vergonhoso, o medo se instaurou: seria possível Chico Bento retomar o brilho e a empolgação que Rezende construiu lá atrás? Bem, Fernando Fraiha   prova que sim.

Estrelado por Isaac Amendoim e escrito por por Elena Altheman, Fernando Fraiha e Raul Chequer, “Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa”  reúne a animada turma da Vila Abobrinha em uma aventura para salvar a goiabeira favorita de Chico Bento. Assim, ele reúne seus amigos Zé Lelé (Pedro Dantas), Rosinha (Anna Julia Dias), Tábata (Lorena de Oliveira), Hiro (Davi Okabe) e Zé da Roça (Guilherme Tavares) e toda a comunidade para acabar com o projeto da família de Genezinho e Dotô Agripino.

Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa estreia em 09/01 nos cinemas nacionais  - Universo dos Filmes

Desde do primeiro momento que nos deparamos com a notícia de que Isaac Amendoim seria o Chico Bento, o frenesi e a empolgação diante disso era inevitável. Isso, porque, o ator ficou conhecido nacionalmente pelo seu carisma ao criar conteúdo para internet na roça onde mora. A simplicidade e o ar cômico fizeram dele o Chico Bento da vida real. Logo, a escolha acabou sendo um dos primeiros grandes pontos positivos para o filme. E toda expectativa que Amendoim gerava no público, felizmente, foi atendida em “Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa”, o ator lidera toda a trama com tamanha maestria que conduz a aventura com facilidade, roubando o estrelato para si e guiando seus coadjuvantes de forma que estabeleça relações críveis para quem assiste.

A dinâmica entre o grupo de amigos é desenvolvido em toda a narrativa, entre uma aventura cheia de “planos infalíveis”, que relembram o prazer de ser criança, a lições de moral que ensinam o público mais jovem empatia, cumplicidade e humildade em aprender a ouvir e entender o próximo, a turma do Chico Bento exerce um papel excelente para o seu público alvo ao trazer uma história que zela pela natureza em uma pauta ecológica, enquanto também produz efeito nostálgicos em sua audiência mais velha com memórias vivas de quem teve o privilégio de ter contato com a natureza na infância.

Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa · Cine Gracher

Apesar de todo drama que envolve a trama principal, “Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa” é muito mais eficaz em criar o humor que é característico do personagem em que ele adapta a história para o cinema. Isaac tem um timing para o humor impecável, criando momentos cômicos que tiram gargalhadas espontâneas e criam uma conexão através da identificação com uma infância mais simples.

Um dos maiores calcanhares de Aquiles em filmes infantis é o elenco adulto, por vezes caricato e fora do tom. Ainda bem, esse não é o problema de “Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa”. Com grandes nomes no elenco, como Augusto Madeira, Luis Lobianco, Livia La Gatto, Débora Falabella e Taís Araújo, os atores adicionam drama e tensão em momentos pontuais para auxiliar a jornada de descoberta e amadurecimento do elenco infantil. Lobianco e Araújo são um dos grandes destaques narrativos, enquanto Luis Lobianco vive um arqui-inimigo declarado de Chico Bento rendendo os melhores momentos cômicos da história, Taís Araújo surge como uma guia espiritual, embarcando a história no mundo lúdico e entregando a leveza que a trama precisava no momento crucial do protagonista.

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Em “Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa” observamos quase um movimento inicial de gentrificação, o possível apagamento de uma cultura disfarçado de modernidade. A história, por mais que infantil, carrega assuntos importantes que devem ser levados em consideração ainda em pouca idade. Assim, fomentando nos pequenos uma consciência ambiental e social necessária.

Fernando Fraiha mostra em uma história cheia de identidade brasileira, sem apelar para a estética genérica do que é um filme comercial-infantil, que o universo da Turma de Mauricio de Sousa ainda carrega consigo o brilho necessário para se eternizar no mundo literário, televisivo e cinematográfico.

O filme estreia hoje (09) nos cinemas de todo o Brasil.

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