CRÍTICA | Apesar de demorar para engrenar “Moneyboys” é uma ótima pedida para sair do mainstream

Produzido e lançado em Taiwan em 2021, Moneyboys chega em fevereiro deste ano no Brasil. O filme marca a estreia de C.B. Yi no roteiro e direção de longas-metragens.

Moneyboys traz Fei (Ko Chen-tung) como seu protagonista, que ganha a vida na cidade grande trabalhando como garoto de programa. O seu mundo desaba quando ele percebe que sua família aceita seu dinheiro, mas não sua homossexualidade. Com o coração partido, Fei luta para recomeçar.

Moneyboys traz diversos temas para discussão nas suas duas horas de duração. De início ele causa uma estranheza, não pela sua temática, mas porque somos jogados naquele universo sem muita apresentação e ficamos com uma sensação de que perdemos o início do filme. Ao decorrer do longa é que vamos entendendo melhor quem são os personagens e seu universo. O filme é cheio de altos e baixos, e demora um pouco para engrenar e entrar na história em si que conta na sinopse.

Devido à distância cultural de Taiwan e Brasil alguns aspectos podem passar despercebidos ao assistir o filme, mas ele traz críticas universais que nos atingem no contexto de sociedade que vivemos, como o conservadorismo e a tradição de formar família. Um das marcantes cenas de Moneyboys é um jantar em família que transmite a mesma sensação das tias perguntando “e as namoradinhas?” durante a ceia de natal. O longa também traz uma forte crítica à exploração de trabalho, que é bem mais potente em países asiáticos, e, sendo o tema central do filme, sobre a criminalidade da prostituição.

O que mais se destaca no filme é a composição de cena junto da fotografia. C.B. Yi faz um bom trabalho na direção de atores, mas traz à tona a sua visão cinematográfica ao montar planos muito bem pensados, com uma composição de cena em que por diversos momentos parece que você está vendo quadros ou fotografias. Porém, diferente de diretores que fazem esse uso de forma milimétrica beirando o artificialismo, em Moneyboys o diretor deixa correr de forma natural, através da movimentação dos personagens, ou até utilizando poucos filtros na pós-produção e não exagerando nas cores ao pensar a arte do filme.

C.B. Yi também faz constante uso de planos sequências, a maior parte das suas cenas tem poucos cortes, poucas movimentações de câmera, o que em alguns momentos deixa o ritmo um pouco mais lento, e em outros dá uma fluidez melhor ao naturalismo que ele quer passar. Ao pensar em diversos usos de planos longos, também deve-se elogiar as atuações, que precisam de uma concentração maior tanto para não sair dos personagens, como também para dar condução aos diálogos, que em algumas vezes soam caóticos, como em todas as brigas de famílias.

Moneyboys é uma boa obra de estreia, C.B. Yi mostra que tem um bom conhecimento da técnica cinematográfica, e está trabalhando em sua maneira de contar histórias. Para o público brasileiro, é uma boa obra exploratória, para sair do mainstream em que nos é jogado de forma tão avassaladora e voraz.

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