CRÍTICA | ‘Chama a Bebel’ até que tem boas intenções, mas tem uma execução fraca

Bebel é uma jovem cadeirante que mora com a mãe e o avô no interior. Para continuar seus estudos, ela acaba se mudando para a cidade grande, onde novas adversidades passam a fazer parte de sua vida, começando com sua tia Marieta. O filme brasileiro, que chega nos cinemas nesta quinta-feira (11), é escrito e dirigido por Paulo Nascimento e traz nomes promissores em seu elenco, como Giulia Benite (Turma da Mônica), Gustavo Coelho (Manhãs de Setembro; Nosso Sonho) e Pedro Henriques Motta (Detetives do Prédio Azul).

Chama a Bebel tem como inspiração principal a jovem ativista ambiental Greta Thunberg, ídola da personagem interpretada pela Giulia. O filme toca em diversos assuntos importantes para a sociedade, mas seu foco principal é a bandeira ambientalista e a vida sustentável. O fato da personagem principal ser cadeirante é apenas mais uma característica dela e não é problema central da trama, o que o roteiro resolve muito bem. Assim como as questões raciais, que apesar de existirem poucos personagens negros, a gente entende a escassez deles dentro do universo do filme.

Porém, mesmo cheio de ideias boas e algumas soluções interessantes, a condução principal do roteiro é preguiçosa e acaba cansando o espectador. O filme já inicia com uma voz off da narração da própria Bebel, artifício muito usado em filmes brasileiros, porém ele aparece no início do filme e até a metade ele é esquecido, a voz off aparece apenas em momentos em que o roteiro quer explicar algo que ou não sabe como desenvolver ou não deu tempo de apresentar em cenas durante o longa. 

A preguiça do roteiro não para por aí, além das explicações em voz off, o roteiro é quase que panfletário, colocando em quase todos os diálogos da Bebel falas prontas e de efeito sobre como o mundo pode ser melhor e mais sustentável. A personagem que deveria ser simpática e agradar ao público por querer melhorar o mundo, em alguns momentos se torna pedante pelo ‘excesso de ativismo’ ou uma ‘curiosidade exacerbada’ que acaba nos distanciando. Até pensando no público infantil, para o qual o filme é voltado, ele acaba sendo extremamente didático e cansativo.

A direção de arte e a fotografia do filme cumprem seus papéis, mesmo que por alguns curtos momentos tragam planos ou aspectos que causem estranheza para quem olha de forma mais analítica para o longa. Porém a trilha sonora é mais um ponto que transmite um excesso de didatismo no filme, trazendo trilhas de efeitos em momentos desnecessários com a intenção de tencionar ainda mais os sentimentos que quer tocar, mas acaba deixando o filme caricato, se assemelhando com as produções melodramáticas mexicanas.

Como já dito, o filme traz um elenco jovem promissor, porém que desperdiça bastante seu potencial em uma direção cheia de marcações e diálogos artificiais. A Giulia interpreta uma personagem até semelhante a Mônica, porém sem as sutilezas que a personagem que a fez famosa trazia. O elenco de apoio se esforça, Gustavo Coelho e Antônio Zeni fazem um bom trabalho no papel de amigos da protagonista, por outro lado a Sofia Cordeiro não convence em uma mimada e estereotipada antagonista.

Chama a Bebel é um filme cheio de boas intenções e mensagens importantes, mas se perde no seu didatismo técnico e de conteúdo. O produto final se assemelha a um grande episódio das novelas infantis do SBT, que não falo aqui como um demérito à emissora, porém não convence em qualidade cinematográfica e desperdiça o seu potencial.

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