Impuros chega na sua quarta temporada diretamente na Star+ depois das três temporadas anteriores serem veiculadas no canal FOX. A série brasileira conta a história de Evandro do Dendê (Raphael Logam), que começa como um traficante do Rio de Janeiro e escala para uma das maiores figuras do crime da América do Sul.
Dentre as temporadas de Impuros, a quarta é a que resolve menos coisas, e mesmo ainda deixando o espectador nervoso e ansioso com a sua trama, os 10 episódios parecem um grande “vem aí” em relação ao Evandro. Porém, ela trabalha as narrativas secundárias e dá desfechos para personagens que não são a grande atração do show.
Impuros traz uma narrativa que é sempre difícil e traiçoeira de se explorar, podendo cair nos estereótipos do preto traficante e da favela violenta a qualquer momento, a série faz uma auto reflexão, e por diversos momentos critica essa visão estereotipada do tráfico na favela, mas também sem vangloriar o comportamento violento.
Desde a temporada anterior a série inclui elementos cada vez mais perceptíveis de uma vilanização do Evandro do Dendê para que esse endeusamento a um traficante não aconteça, e por mais que nos apeguemos ao personagem, por diversos e diversos momentos sentimos ódio e até repulsa das suas decisões, porém no final também simpatizamos com a sua trajetória de um garoto pobre que viu no crime uma oportunidade de subir de vida (até porque se não houvesse essa simpatia, não existiria a série).

Enquanto nesta temporada Evandro permaneceu perdido, lutando contra o seu egocentrismo e tendo que lidar com os problemas dos ‘negócios’ e familiares, vimos um amadurecimento dos personagens ao seu redor. Gilmar (Leandro Firmino) que sempre foi um personagem simpático e divertido, teve um desenvolvimento maior para além do tráfico nesta temporada, e conseguimos sentir a angústia de alguém que quer e precisa sair do crime, mas vê que não é tão fácil assim. Do outro lado de Evandro tem Geise (Lorena Comparato) que aos poucos foi saindo de apenas par romântico para parceira de negócios, e consegue protagonizar sozinha as suas negociações e tramas, além de ser uma ótima saída para o roteiro para conseguir dividir a atenção entre os negócios do Brasil e da Bolívia/Paraguai.
Do outro lado da narrativa temos Vitor Morelo (Rui Ricardo Diaz), policial federal que é nemesis de Evandro. Com pouquíssimo mais do que ter que explorar (depois de perder a mulher, sua parceira policial e se recuperar ao alcoolismo), a trama dele segue em recuperar não só o amor como literalmente a sua filha Inês (Karize Brum) que fugiu com Afonso (João Vitor Silva) em uma aventura à la Bonnie & Clyde. Bastante tempo dessa temporada é dedicada para a trama do casal, que poderia ser bem mais emocionante se a Inês não soasse (desde a primeira temporada) uma rebelde sem causa.

Alguns personagens foram muito bem inseridos nesta temporada, mesmo que com pontuais aparições, como o jornalista Wagner Marques (Wagner Marques), que eleva a paródia aos programas sensacionalistas que a série sempre trouxe. Teve também a Helena (Marina Provenzzano), uma jovem cineasta que quer fazer um documentário sobre o morro do Dendê, se a intenção não era fazer uma caricatura da esquerda branca de classe média emocionada, a série acabou transformando a personagem nisto, caso foi proposital, acertou em cheio. Outras duas participações que surpreendem o espectador é a presença de Jonathan Haagensen (de Cidade de Deus) como Ademar, rivalizando com Evandro e Wilbert (Sergio Malheiros) pelo comando do morro, e a rápida presença de MC Carol como Marcelão.
Os pontos mais baixos da temporada: a promessa é que ela giraria em torno do confronto de Evandro x Jogo do Bicho, mas tanta coisa acontece ao longo dos 10 episódios que esse conflito fica sobreposto por outras tramas mais interessantes que fica a sensação que poderia ser bem melhor explorada; Por mais que Cyria Coentro esteja bem no papel de Arlete, a sensação que fica é que a personagem não tem mais tanto para explorar e o conflito entre mãe x filho está andando em círculos, sendo só uma válvula de escape em algumas situações para fuga de conflitos ou saídas rápidas.

Impuros mantém a qualidade lá no alto, apesar da quarta temporada não ser o seu melhor ano. As tramas dos personagens secundários se mostram mais interessantes e finalizam melhor do que as tramas do próprio Evandro. Com a quinta temporada já confirmada, a série nos deixa com vários ‘vem aí’ que queríamos que tivessem vindo nessa mesma temporada.
NOTA: 4/5








