A Tribernna assistiu o filme antecipadamente a convite da Warner Bros. Pictures
Agora, é oficial! A DC também tem seu próprio multiverso nos cinemas. Mas, será que entre os últimos lançamentos “The Flash” tem o que é necessário para se sobressair ao tratar da expansão do seu universo? Além de referências e nostalgia, o filme consegue criar uma história divertida, que sabe comover e ainda ajuda a encerrar o antigo DCEU.
Contando com a direção de Andy Muschietti, o filme é ambientado depois dos eventos de Liga da Justiça, quando Barry Allen (Ezra Miller) decide viajar no tempo para evitar o assassinato de sua mãe, pelo qual seu pai foi injustamente condenado à cadeia. O que ele não imaginava seria que sua atitude teria consequências catastróficas para o universo. Para voltar para seu plano original, Flash contará com a ajuda de versões de heróis que já conheceu, incluindo versões do Batman que já são conhecidas (Michael Keaton e Ben Affleck), para evitar mais quebras entre universos e voltar ao normal.

Com elementos da história em quadrinhos intitulada “Flashpoint“, o filme traça uma jornada de herói em busca de amadurecimento e superação. Neste longa, Barry tende a ser mais maduro que vimos anteriormente no DCEU. Ainda que seja alguém inconformado com as perdas que sofreu na vida, o seu caminho inevitável é entender que o passado é imutável, e nem mesmo a força da aceleração pode mudar isso.
Os primeiros 10 minutos do filme é a mais pura diversão de super-herói. Aqueles que sentem falta de filmes que carregam a identidade característica do gênero irão se sentir contemplados ao ver super-heróis (sim, no plural) salvando cidadãos, perseguindo vilões e caindo no velho truque do laço da verdade da Mulher Maravilha. Com ação, humor e uma familiaridade que só a DC traz, o primeiro ato conquista e dita o tom que o filme terá ao longo de seu desenvolvimento.
Ezra Miller é um dos maiores destaques da trama. O ator dá vida a dois personagens completamente opostos e se sai muito bem em criar uma dinâmica divertida consigo mesmo. Sua versão de outra realidade, mais jovial e inocente, traz o vislumbre do que seria se nós ganhássemos um filme solo do Flash focado em seu primeiro ano como herói. Além disso, a produção consegue interligar os acontecimentos de eventos acontecidos em filmes anteriores, preenchendo lacunas e solucionando algumas dúvidas dos fãs, como: onde estava o Flash durante esse acontecimento?
Em contra partida, Miller enfrenta o seu maior vilão, e eu não estou me referindo ao Zod ou ao personagem misterioso. Estou falando dos efeitos especiais. Ainda que o elenco contribua com excelentes performances, comandadas por uma direção fenomenal de Andy Muschietti e acompanhadas de um roteiro divertido e linear de Christina Hodson, tudo é colocado de lado graças a quebra de imersão fornecida pelo visual precário e detestável que o longa provoca nos efeitos especiais.

Em algumas cenas de corrida e principalmente no terceiro ato, The Flash perde toda sua magia quadrinesca com uma pós produção falha e miserável. Isso também se aplica a construção visual de certos momentos mais fantasiosos, apresentados no final da obra. Não é questão de detalhes ou pequenas percepções, mas é algo grotesco e perturbador para qualquer um que tenha o mínimo de percepção visual.
Ainda assim, vale reforçar, que ao meu ver, este é o único (e grande) defeito da obra. A produção se esforça para se manter dentro de uma narrativa divertida e leve a todo momento, mesmo que tenha um drama ali, uma ação mais intensa por lá, o filme ainda é uma aventura leve e que entretém a todo instante. Divertida ao ponto de fazer com que o espectador não sinta a hora passar.

The Flash ainda conta com grandes participações especiais, algumas previamente divulgadas ao público como Michael Keaton retornando como Batman, e outras que ainda se mantém em segredo até você entrar na sala de cinema. Ao contrário do esperado, o filme não se apoia em nostalgia para emocionar ou construir sua narrativa.
É claro que há uma comoção inevitável em rever rostos conhecidos, mas eles não são o maior fator que o filme tem a fornecer. E isso é um grande ponto positivo, porque fica claro que The Flash não apoia seu roteiro inteiramente nisso, apenas dá ao público uma saudosa homenagem a história da DC no cinema como um presente de despedida.

Como imaginávamos, The Flash consegue construir uma explicação condizente para o início do novo DCU. Sem tragédias (mais ou menos) ou feitiço de esquecimento, o longa realmente se aproveita do que propôs inicialmente: o multiverso. Assim, encerra a jornada dos heróis que começaram em 2016 com Homem de Aço e deixa uma tela em branco para que James Gunn comece a escrever sua própria história.
Unindo uma comédia pontual, excelentes atuações e uma diversão garantida, The Flash é eficiente como um filme de super-herói que usa o multiverso de forma distinta dos lançamentos que vimos na editora concorrente, mas não se destaca entre os lançamentos do seu próprio estúdio. Infelizmente, o longa carrega uma promessa de ser muito mais que sua execução permitiu que fosse. Deixando, ao fim, os fãs com o sentimento de que poderíamos ter ganhado muito mais.
O filme estreia na quinta-feira, dia 15 de junho nos cinemas, mas a partir de hoje (14) você já encontra sessões antecipadas!
Nota: 3,8/5








