Parece que a Disney decidiu fazer pelo menos uma versão de Peter Pan por década. Temos o clássico Peter Pan, de 2003, temos o fracassado filme Pan, de 2015, e em 2023 a Disney lançou diretamente no Disney+ Peter Pan & Wendy, trazendo mais uma versão do clássico infantil.
Peter Pan & Wendy, dirigido por David Lowery e escrito por Lowery e Toby Halbrooks, traz uma versão nova para o conto de fadas. O filme se mantém fiel ao material original, mas consegue atualizar o conto muito bem, fugindo de problemas recorrentes, porém, parece que a preocupação foi apenas essa e o Peter Pan de 2023 acabou se tornando um filme raso.
A direção de David Lowery é espetacular, e as atuações também estão muito boas, tanto do elenco adulto, quanto do infantil. O filme traz um quê de realismo maior nessa versão, os diálogos são mais duros (no sentido de falas mais impactantes) e tem um tom mais escuro, com cores mais frias, sem o colorido filmes infantis (que apesar de ter ficado lindo, pode ser um defeito se tratando de um filme infantil).

Vamos às atualizações que essa nova versão traz. A primeira é notória visualmente, que é a diversidade em seu elenco. Descarta um Peter Pan loiro de olhos verdes, e traz Alexander Molony para o papel, um ator ‘brown skin’, o mesmo ocorre com a Tinker Bell/Sininho, que é interpretada pela Yara Shahidi. Os meninos perdidos também são múltiplos, e não são só meninos desta vez, destaco até a adição do ator Noah Matthews Matofsky, que tem síndrome de down e ganha bons minutos em tela. A Tiger Lily, interpretada pela Alyssa Wapanatâhk, recebe um tratamento melhor em sua representação indígena, apesar de ainda exercer um papel bem específico na narrativa.
Outra grande mudança foi ao tratamento dado às personagens femininas. A Tinker Bell deixou de ser a fada birrenta e ciumenta, e ganhou novas características nesta versão, é uma versão bem respeitosa com a personagem, apesar de ter lhe tirado certo espaço se comparado a outras obras e sentimos falta dela em momentos do filme. A Wendy, interpretada por Ever Anderson, ganha um papel de protagonismo não só no título, mas também conduz o filme junto do Peter. A Wendy deste longa deixa de exercer uma função de mãe cuidadora, na verdade até questiona isso em certo momento do filme, e ganha suas próprias complexidades e conflitos, além de se destravar como uma das heroínas do filme.
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Indo aos arqui-inimigos, Peter Pan e Capitão Gancho, eles também ganham novas camadas. Peter muda não apenas fisicamente nesta versão, mas o longa deixa de lado seu arquétipo de herói e traz uma roupagem mais humana para o garoto. Enquanto isso, o Capitão Gancho, interpretado por Jude Law, também larga o arquétipo de vilão malvado caricato, e descobrimos a razão do pirata chegar naquele estado.
Apesar das elogiáveis atualizações em seus personagens, o filme em si ainda é raso, os conflitos são lineares e resolvidos facilmente. Estética e tematicamente Peter Pan & Wendy deixa o estereótipo dos filmes infantis da Disney cheios de cor e fantasia, mas não se desprende da falta de profundidade e deixa um gostinho de quero mais (não no bom sentido) ao subir os créditos.
NOTA: 2,5/5








