CRÍTICA | “Tic-tac: A Maternidade do Mal” surpreende mas poderia ser melhor

Unindo maternidade e a pressão da sociedade, “Tic-tac: A Maternidade do Mal” é uma surpresa positiva dentro do “horror elevado”. Estrelado por Dianna Agron, o longa busca promover um debate atual em meio a uma corrida mental e perturbadora. No entanto, apesar de sua intenção ser sublime sua execução não o acompanha.

Dirigido e escrito por Alexis Jacknow, o filme traz a historia de uma mulher que busca um tratamento em uma clínica para tentar regular seu relógio biológico depois que amigos, família e sociedade a pressionam a ter filhos.

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Com 91 minutos de duração, o roteiro de Jacknow é afiado e certeiro em construir uma pressão tão palpável e real sob a protagonista. Os diálogos propostos são fortes e capturam a dor em sua essência, seja em diálogos mais calmos ou confrontos com a realidade. Agron compactua com o roteiro e sabe muito bem conduzir a narrativa de modo com que fique insustentável todo peso que ela carrega durante os primeiros 20 minutos da trama, sua atuação é esmagadora e hipnotizante.

Procurando abrir um debate sobre como o corpo da mulher é visto como uma propriedade, “Tic-tac: A Maternidade do Mal” mostra que o maior inimigo não são as aparições ou assombrações, e, sim, o patriarcado. Fica claro como é alimentado a semente do desespero na protagonista de não corresponder com as expectativas dos outros de criar uma família, mesmo que isso seja algo que ela não quer. Esse desejo contrário ao esperado é visto como falha, repulsa e serve de munição para uma manipulação, forçando a protagonista a procurar métodos invasivos para suprir tais expectativas.

Gosto de analisar as aparições grotescas ao longo do filme como pequenas metáforas na vida da protagonista. No entanto, não vou me estender para não estragar a experiência com spoilers. Mas, fica o registro que o roteiro de Jacknow gosta de brincar com inseguranças, receios e pressões para montar seu terror.

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Apesar de todo debate, o filme consegue apresentar um bom thriller. A aposta da diretora Jacknow são alucinações, que perturbam a protagonista e enganam o espectador que não sabe mais o que é real ou não. No entanto, sua direção peca em manter a atenção do espectador a todo momento. Ainda que tenha um elenco cativante, carismático e convincente, o rumo escolhido – por muitas vezes – parece se perder, não sabe que direção tomar e cria alguns rodeios.

Tic-tac: A Maternidade do Mal” foi definitivamente uma surpresa. O thriller carrega uma ideia primorosa e eleva ela ao absurdo, capaz de conversar diretamente com seu público alvo e criar um medo real. Além dos sustos e surpresas no fim, o filme consegue ao fim se consagrador como uma boa obra, daquelas que vai fazer você ficar pensando por alguns dias – principalmente com aquele final tão intenso.

O filme está disponível no STAR+.

Nota: 3/5

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