CRÍTICA | “Inside” tem um grande pilar filosófico, mas não consegue transformá-lo em algo atrativo

Dando vida a um ladrão de artes, Williem DaFoe nos presenteia com uma atuação ímpar em “Insider“, novo longa que conversa com o espectador de forma mais subjetiva, implícita e até filosófica e por isso pode não funcionar com todos os públicos.

Com a direção de Vasilis Katsoupis e roteiro de Ben Hopkins, “Insider” conta a história de Nemo (Dafoe), considerado um especialista em roubo de artes. Certo dia, ele invade uma cobertura de luxo afim de roubar um grande colecionador. Todavia, o inesperado acontece: o sofisticado sistema de segurança do apartamento bloqueia todas as saídas e entradas. Nemo agora está sozinho e, acima de tudo, preso. Ele espera por seus cúmplices, mas eles não aparecem. No final, ele até espera que os seguranças ou a polícia o tirem de sua situação – mas nada acontece. A situação é desesperadora, ele espera dias, que se transformam em semanas e semanas em muitos meses. Então Nemo agora vive em uma gaiola dourada entre as obras de arte que ele deveria roubar. Tudo o que lhe resta é seu talento e criatividade, que devem mostrar a ele uma saída desse labirinto…

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Com 1 hora e 45 minutos de duração, o filme aposta todas as fichas na atuação de DaFoe, em mostrar seu definhamento físico e mental, sua transformação e enlouquecimento conforme os meses de enclausuramento se passam. 

Quanto a atuação do protagonista (e praticamente o único personagem) não há comentários negativos a se fazer. Talvez essa seja uma das grandes performances do ator. Quase sem falas explícitas, DaFoe conversa muito com o público com seus devaneios, sentimentos, surtos, planos e seu senso de sobrevivência. 

Ainda assim, “Insider” é um filme desnecessariamente longo para sua proposta. Apesar de inserir um obstáculo extra ao personagem principal – aumentando e diminuindo a temperatura ambiente – a história é muito mais um dilema filosófico do que um filme sobre sobrevivência. Há certas referências sutis a obras literárias, que atentos irão notar, que conversam diretamente com o inferno que estamos presenciando em tela. Porém, soa muito repetitivo e cansativo. Toda atenção é dissipada porque não é possível gerar um interesse maior ao espectador que procura por algum motivo ou significado dentro daquilo tudo. E, infelizmente, não acha ao fim.

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O filme utiliza da arte como seu maior canal de comunicação com sua audiência. É realmente bonito a forma como ele constrói certos arcos de sua narrativa ao redor de obras que rondam o aprisionado. Por muitas vezes isso casa com devaneios de Nemo, que conversa sozinho ou projeta sua solidão em cenários inexistentes. 

Insider” é um filme difícil de ser digerido. Por ser muito subjetivo ele não funcionará com todos que assistirem, pelo menos não funcionou comigo. Apesar de achar instigante todo seu debate acerca do existencialismo, a história não consegue se apoiar inteiramente nisso para se tornar interessante e atrativa. Nem mesmo a atuação magnífica de Williem DaFoe não me impediu de sair frustrada quando os créditos iniciais surgiram. 

Nota: 2,3/5

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