CRÍTICA | “Babilônia” destrincha um período transicional do cinema em uma jornada extravagante

Com títulos como “La La Land“, “Whiplash” e “O Primeiro Homem” em sua carreira como diretor, Damien Chazelle apresenta em “Babilônia” uma nova versão de si mesmo. Mais corajoso, ousado e audacioso, o cineasta destrincha dentro do longa indicado ao Oscar 2023 uma história sobre exageros, vícios e a paixão pelo cinema.

Antes do título surgir em tela, “Babilônia” choca a audiência com o caos e o inesperado, ao tempo que dita e apresenta aos espectadores o ritmo e o tom do filme a seguir. Em uma cena inicial, expondo a extravagância das festas da antiga Hollywood, Chazelle é desinibido ao apresentar os personagens principais e o ambiente que regem suas atitudes e motivações. Colorido, vibrante e com uma trilha sonora de tirar o fôlego, a produção se mantém no mesmo ritmo nas 3 horas que desenvolve sua história.

Babylon (2022) - IMDb

Estrelado por Brad Pitt, Margot Robbie e Diego Calva, o filme apresenta a transição do cinema mudo para o falado. Contando a história de três núcleos distintos, que se encontram em suas narrativas, o longa destrincha acerca de tantas pautas envolvendo o cinema que a sensação que se instaura é de estarmos assistindo filmes dentro de outros filmes e assim por diante. Há um debate muito assertivo sobre a pressão de Hollywood em criar um molde vendável, racismo, etarismo e, principalmente, o descontrole que o vício pelos frutos da sétima arte pode proporcionar.

Ainda assim, vale mencionar que, Chazelle não pesa o tom do filme com pautas tão intensas. O filme carrega consigo, nos dois primeiros atos, um tom extravagante (combinando precisamente com seus personagens) que traz um humor bem característico e único do cineasta. Ele aposta contar a história do cinema do modo que o expõe nocivamente ao mesmo tempo que o vangloria em sua importância e relevância na sociedade.

Babylon Limited And Wide Release Dates

Ao falarmos do elenco, fica claro que Margot Robbie é a grande estrela deste longa. A atriz maximiza seu potencial ao duplicar a insanidade do seu diretor na sua performance. Irreverente e magnífica, Robbie merecia uma indicação as premiações deste ano na categoria de Melhor Atriz. De outro modo, Brad Pitt não demonstra nada além do que já havíamos visto em sua carreira. No entanto, seu personagem é responsável por viver um arco relevante e ainda presente na história atual, bem como, participa de um dos melhores diálogos do filme (na verdade dito pela jornalista que contracena com o ator). Já Diego Calva, faz sua estreia em Hollywood da melhor forma possível, em uma grande obra, com uma grande história e um grande marco dentre os lançamentos do ano. Porém, sua participação não é tão impactante quanto o filme necessita. 

Há de citar uma escolha narrativa, feita por Chazelle, que pode agradar qualquer cinéfilo. Ao escolher contar uma história inspirada em personalidades reais, o diretor-roteirista traz um terreno mais sólido e crível para seus personagens. Isso se intensifica quando notamos algumas referências (sutis ou não) a história do cinema, como apresentação de clássicos em tela ou comportamentos conhecidos dentro da indústria. 

Babylon' Features Over Two Hours of Music by Justin Hurwitz - Variety

Um dos pontos mais positivos de “Babilônia” é sua trilha sonora, e contra isso não há argumentos. Justin Hurwitz foi um mestre ao criar essa obra prima, coesa, linear e estrondosa. Tudo que foi apresentado por Hurwitz nos faz voltar a uma era que não vivemos, com a sensação de grandiosidade e uma magnitude incomparável. Não é a toa que o filme concorre ao Oscar na categoria de Melhor Trilha Sonora. 

Babilônia” é um filme que se permite mostrar o lado feio da história do cinema, ao tempo que faz uma homenagem a vozes, rostos e personalidades que impactaram a indústria de um modo que vivem através do tempo mesmo depois de suas mortes. A relevância do cinema é compreendida aqui pela forma como ela impacta e motiva seus personagens. Não é uma jornada bonita ou inspiradora, mas é, definitivamente, inesquecível.

Nota: 4,3/5

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