Uma viagem no tempo através da moda em um conto sobre sonhos que atravessa preconceitos de classe e de idade. Esse é o belíssimo “Sra Harris Vai a Paris” do diretor Anthony Fabian. Adaptado do livro do mesmo nome, o longa carrega uma doçura imensurável com o protagonismo feroz de Lesley Manville em uma história que aconchega e motiva.
Ambientado na década de 1950, “Sra Harris Vai a Paris” traz a história da empregada doméstica viúva, Sra. Ada Harris (Lesley Manville), que se apaixona por um vestido de alta costura da Dior. Sua vida ganha uma virada inacreditável quando decide que precisa desesperadamente ter um vestido igual e passa a fazer de tudo realizar seu novo sonho. Até mesmo ir para Paris e participar de um desfile de 10 anos da empresa.
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A história por mais simples que seja é envolvente e cativante. Como uma remodelação de um conto de fadas, neste longa temos uma gata borralheira que faz de si mesmo sua própria fada madrinha, sem ao menos notar como impacta o seu interior ao olhar para algo que seria visto superficialmente para enfeitar seu exterior. Não entenda errado, este não é um filme sobre vestidos. Este é um filme sobre o poder que um sonho tão vívido como o da Sra Harris pode gerar na vida de alguém, motivado pela fantasia ímpar da alta costura.
O grande motivo para que o filme tenha sido tão bem sucedido em sua narrativa foi o desempenho de Manville. A atriz britânica é exímia ao construir uma personagem tão querida e ao mesmo tempo tão impactante dentro de sua história. Ainda que os desafios sejam um tanto quanto banais e fáceis de serem superados olhando de fora, a trama trabalha muito com o desenvolvimento pessoal da protagonista diante dos acontecimentos da sua viagem à Paris.

Não poderia falar de “Sra Harris Vai a Paris” sem citar os figurinos! Além da alta costura da Dior, que referencia grandes monumentos da história da moda, há sutis (e nem tanto assim) referências a personalidades que impactaram a moda da época, como Audrey Hepburn na construção visual da modelo Natasha (Alba Baptista).
Este é um filme que definitivamente surpreende, já que tudo que girou ao redor de seu marketing não prometia muita coisa. No entanto, como a história própria mostra: eventos inesperados podem surgir quando se dá uma chance. O inesperado se mostra através da surpresa de assistir uma história deliciosa.

Sra. Harris é uma personagem revolucionária, afetando não só a si mesmo quanto as pessoas ao seu redor. Elementos da revolução de manifestações francesas vão crescendo ao redor de seu desenvolvimento, tornando-se um paralelo bem notório e interessante de ser observado.
“Sra Harris Vai a Paris” dá luz e voz a pessoas invisíveis, que são ensinadas a se manterem onde estão por sua classe social ou por sua idade. A protagonista quebra este paradigma e motiva o espectador a seguir os seus sonhos em uma história doce, acolhedora e que abrilhanta a quebra do estereótipo raso que a sociedade impõe.
Nota: 4,2/5








