CRÍTICA | “Irmãos de Honra” frustra ao entregar um roteiro desleixado com ausência de desenvolvimento em tudo que se propõe apresentar

O que esperar de uma história que promete trazer  o primeiro piloto negro da marinha? Somente altas expectativas, certo? Infelizmente, “Irmãos de Honra” não as supre. Apesar de ótimos nomes no elenco, toda sua trama é um ‘quase lá’, não consegue se aprofundar em nenhum tema que se propõe apresentar, seja racial ou que envolve a ação da guerra. Assim, ao fim, entrega uma história morna e um pouco frustrante.

Baseado em uma história real e no livro Devotion: An Epic Story of Heroism, Friendship, and Sacrifice de Adam Makos, “Irmãos de Honra” conta a história de dois pilotos de elite de aviaçao durante a Guerra da Corea: Jesse Brown (Jonathan Majors) e Tom Hudner (Glen Powell). Ambos são aceitos em um esquadrão de elite da Marinha norte-americana, para treinamento. Hudner é um soldado impecável e Brown é um piloto talentoso, que se tornaria o primeiro homem negro a voar em combate pela Marinha dos Estados Unidos. Enquanto isso, o conflito entre o norte e o sul da Coreia começa e o esquadrão se posiciona interferir neste intenso combate que pode se tornar uma guerra mundial. *

Devotion' Review: An Airman in Reflection - The New York Times

É impossível negar que havia uma expectativa gerada em cima deste filme, principalmente a respeito do protagonismo de Majors e Powell. Convenhamos, além de suas ótimas atuações, este ano seus nomes ficaram em grande destaque graças a Loki e Top Gun: Maverick. Logo, é inevitável não esperar nada além do que surpreendente deste dois. Felizmente, quanto as suas atuações não há nada do que ser dito negativamente. Ambos atores compartilham de carismas bem únicos, constroem uma amizade que ensina muito mais a Tom do que ele esperava. Todavia, o roteiro prejudica demais a evolução de seus personagens. 

Quando observado a pauta social abordada na trama nota-se apenas a existência de algo mal elaborado. O filme pincela efeitos do racismo no protagonista, através de diálogos ou sua postura diante determinados conflitos. No entanto, o que se instaura é a sensação que estamos vendo a continuação de outro filme. Não há uma construção da narrativa que faça o público captar a dimensão da dificuldade que foi seu marco na Marinha. Conflitos entre soldados parece quase algo rotineiro em filmes de guerra, o que faz com que este filme não carregue uma singularidade qualquer ao retratar uma personalidade impactante. 

Não me entenda mal, não estou falando que havia necessidade de violência racial mais intensa e explícita. Não é este o ponto. Há diversas ferramentas na narrativas capazes de fazer o público entender, se compadecer e criar ligações de modo mais íntimo ao se identificar ou se revoltar diante daquilo. O que falta em Jesse Brown é profundidade, ao em vez de menções soltas de episódios de sua vida. 

Devotion (2022) - IMDb

Agora, quando falamos da ação de aviões…. este foi um péssimo ano para o filme ser lançado. “Irmãos de Honra” estreou exatamente no mesmo ano de Top Gun: Maverick, o filme mais rentável do ano. Apesar de não haver comparações diante de suas histórias, são ambos pilotos da marinha…isso causa no público um paralelo inevitável. E quando vemos as ações de ambos filmes… “Irmãos de Honra” fica muito em desvantagem.

Se ao menos o longa tivesse tido a escolha de escolher o drama para elaborar, e por isso, a ação sofresse um prejuízo, não haveria este parágrafo. No entanto, não foi isso que aconteceu. Como a pauta racial, a ação é desleixada. Além da falta de compreensão do público em determinados momentos, por falta de explicação ou da falta da dimensão do perigo, os acontecimentos mais tensos perdem um pouco seu valor. 

Devotion' Trailer Takes Flight | Moviefone

Contudo, não posso me abster em dizer que toda ambientação, efeitos visuais, manobras aéreas e demais componentes visuais que contribuíram para o teletransporte do público aquela época, foram excelentes! Quanto a parte técnica, não há o que reclamar. Nem ao menos a escolha do elenco. Apesar de Majors e Powell ganharem mais destaques, os demais contribuem para o alívio da trama com leveza e um toque de humor.

Irmãos de Honra” tem um bom drama, mas perde seu charme pelo desleixo de um roteiro raso que prometia muito e entregou o mínimo. Frustra ao contar uma história com grande potencial para nascer um clássico, porém o que se torna mesmo é apenas mais um filme de guerra/avião que será esquecido daqui a alguns anos. 

Nota: 3/5

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