CRÍTICA | “A Escola do Bem e do Mal” uma boa ideia mal executada ou dívida de jogo?

E se a responsabilidade da continuidade dos contos de fadas ficasse a cargo de uma escola que modelasse o futuro do bem e do mal? O novo filme da Netflix, baseado nos livros de Soman Chainani, traz uma história que une elementos das fábulas como vimos em Descendentes e um pouco da variedade mística do mundo de Harry Potter. Porém com os efeitos especiais de Teen Wolf.

Com a direção de Paul Feig (Uma Segunda Chance para Amar) e roteiro de David Magee (As Aventuras de Pi), o filme conta a história das duas melhores amigas Sophie (Sophia Anne Caruso) e Agatha (Sofia Wylie) que, apesar de muito diferentes, são inseparáveis e imbatíveis juntas. Enquanto Sophie sonha em ser uma princesa, Agatha deseja apenas passar despercebida em uma cidade que a julga constantemente. Tudo muda quando Sophie é convocada para A Escola do Bem e do Mal, uma escola que treina seus alunos para serem heróis ou vilões. No entanto, Agatha não está pronta para ficar sozinha e acaba indo por acidente com ela.

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É preciso deixar claro que a primeira cena do filme em si, basicamente o prelúdio da história, é um péssimo começo. É como se a história realmente começasse com pé esquerdo. Com diálogos ruins, efeitos piores ainda, resultando em uma grande vergonha alheia e um espanta-audiência. Isso se estende as lutas que, não só no começo, são pessimamente coreografadas e dirigidas, o que leva a descrença de que aquele universo existe e nos deixando de fora da imersão necessária para uma fantasia.

No entanto, caso você passe por esse início desastroso, é capaz de você gostar (um pouco ao menos) da história que é contada a seguir. A Escola do Bem e do Mal é um filme que foge dos finais clichês do príncipe encantado, tenta ser empoderador, tenta quebrar estereótipos do que é ser bom e ruim, não pelo que nos é imposto de nascença e sim pelo que é esperado de nós. Além disso, durante a narrativa o longa consegue pontuar que nem mesmo o bem é de todo bom. O que nos dá um vislumbre de uma complexidade que não é muito bem aproveitada.

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O roteiro de Magee beira a infantilidade de tão raso. A história do livro pelo qual ele se baseia ser infanto-juvenil não é desculpa para o desleixo de diálogos engessados e construção de personagens que causam desconforto enquanto assistimos o filme. Isso acontece principalmente com Sophie, que não tem uma transição crível, seja pelo roteiro ou pela performance brega de Anne Caruso.

Outro ponto extremamente negativo são os efeitos visuais. A história clama por criaturas mágicas, o encanto de um paraíso ou o terror da escuridão, mas tudo que ganhamos são efeitos vindos diretamente de 2004. No começo causa vergonha alheia, porém conforme o filme se desenvolve causa apenas um sentimento hilário simplesmente pelo fato de aquilo ter sido a versão final e que alguém realmente aprovou aquilo.

Who Does Agatha End up With in 'The School for Good and Evil'?

Ainda assim, o filme tem alguns pontos positivos. Ele pode entreter se você abaixar seu senso crítico/nível de qualidade. Desligar a mente e pensar que até filmes ruins podem te divertir um pouco se você se permitir (e se você não tiver lido os livros). Até porque Agatha é uma ótima protagonista, ela instiga, provoca e motiva. Dá gosto de assistir dentro de tanto caos.

A Escola do Bem e do Mal deixa claro ao fim que ela não vai agradar os fãs dos livros nem vai conquistar novos leitores. Um filme tão malfeito tecnicamente e tão preguiçoso criativamente, com um elenco cheio de grandes nomes de Hollywood, parece ter sido fruto de uma aposta ou dívida de jogo.

Nota: 2/5

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