CRÍTICA | Quarto ano de “Stranger Things” consegue ser grandioso apesar de roteiro agridoce

Na última sexta-feira (03) a Netflix adicionou em sua plataforma os dois episódios finais da quarta temporada de Stranger Things e, apesar de realmente serem episódios grandiosos e espetaculares em termos de produção, também conseguiu deixar um gosto amargo com um final medroso e raso.

Que Stranger Things é a queridinha da Netflix todo mundo está cansado de saber, que é um dos maiores nomes do catálogo da plataforma e um dos maiores públicos também não é novidade. No entanto o quarto ano da série talvez não tenha conseguido suprir as expectativas que vendeu, e isso é muito mais culpa do roteiro e das decisões que influenciaram todos os arcos da temporada.

Se os primeiros 7 episódios foram responsáveis por criar um “hype” e preparar o terreno para uma conclusão grandiosa, os 2 últimos não conseguiram suprir e acabou entregando uma conclusão rasa e anti climática terminando mais ou menos no mesmo ponto em que a série começou.

A adição de Eddie Munson (Joseph Quinn) foi um dos melhores acertos dessa temporada e sua morte, inútil diga-se de passagem, um dos maiores erros. Exemplificando assim a falta de coragem que a série mostrou de dar o final chocante que tanto prometeu. Uma vez que o final da Max (Sadie Sink) fizesse muito mais sentido dentro da história da série e da própria personagem, que conseguiu entregar os melhores momentos desse quarto ano.

Todo o arco de Hawkins começou e terminou com perfeição, facilmente os melhores momentos da série viam dessas cenas, principalmente das relações de Steve (Joe Keery) com as crianças e seu desenvolvimento ao lado de Robin (Maya Hawke) e Nancy (Natalia Dyer) que conseguiu expandir seu desenvolvimento e se consagrar como uma das melhores personagens dessa história.

Outro brilhante acerto da temporada foi o Vecna, brilhantemente interpretado por Jamie Campbell Bower, que conseguiu ser o melhor vilão e entregar uma história de personagem extremamente conclusiva e satisfatória, além dos momentos mais assustadores da temporada. No entanto todo o arco do Hopper (David Harbour), levado a exaustão, se tornou a maior quebra de narrativa dessa temporada fazendo os episódios desnecessariamente longos parecerem ainda maior e inutilizou bons personagens em uma narrativa inteiramente fadada ao fracasso.

Outro arco que se mostrou agridoce foi o da Califórnia, que tirando o lindo dialogo entre os irmãos Byers (Noah Schnapp e Charlie Heaton), só conseguindo de fato ser minimamente relevante nos momentos finais da temporada. Assim como os momentos de Eleven (Millie Bobby Brown)e o projeto Nina, que serviram muito mais para desenvolver o vilão do que de fato compor a história da protagonista.

No geral Stranger Things 4 foi de fato a maior e mais grandiosa temporada da série entregando momentos icônicos e realmente relevantes, mas ao mesmo tempo conseguiu ser a mais anti climática de todas ao não conseguir fazer os arcos conversarem entre si e nem entregar uma conclusão que estivesse a altura do que foi prometido ao longo dos episódios.

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