CRÍTICA | “A Felicidade das Pequenas Coisas” é bonito, mas não impressiona

O drama butanês do diretor e roteirista Pawo Choyning Dorji é um filme sensível, e que se sustenta muito na conduta de realismo social. É como se ao perceber uma cultura diferente, assim como nosso protagonista, fôssemos imediatamente transportados para uma realidade na qual não sabemos nada sobre, enquanto ficamos curiosos. Talvez, muito desse sentimento também venha das atuações cruas que nos remetem a algo mais real. Ou também por apresentar crianças nas suas formas mas simples. E ainda pela concentração na paisagem, no qual coloca sempre em destaque a natureza em seus planos abertos. Porém, é evidente que após estabelecer sua história moral, fica claro de que A Felicidade das Pequenas Coisas nada mais tem a acrescentar.

Concorrendo ao Oscar de Melhor Filme Internacional, A Felicidade das Pequenas Coisas trata de Ugyen Dorji, um professor de 20 e poucos anos, que sonha em se mudar para a Austrália e ser um cantor famoso. Em seu último ano de contrato com o governo, ele é mandado para Lunana, onde deve assumir uma escola infantil localizada no topo de uma imensa montanha. Com a clara reluta do jovem em ir para tal lugar, fica fácil prever que ele terá desafios, mas que serão transformados em uma experiência enriquecedora. Toda a construção nos faz crer sobre isso, pois retrata os costumes do povo com grande simbologia, enquanto Ugyen desdenha.

A Felicidade das Pequenas Coisas

Ao se instalar no local, toda a situação precária e simples do povo é confrontada pela má vontade do professor que não vê a hora de estar de volta à cidade e para as tecnologias. No entanto, essa costumeira narrativa do bem x mal não impressiona, ao mesmo tempo que parece usar da simplicidade e da boa índole como um fato transformador de caráter. É claro que podemos acreditar que vivências podem sim transformar uma pessoa. Porém, a forma como o realizador transmite essa mensagem parte de práticas tão comuns que por vezes soam falsas.

Ainda assim, dois grandes aspectos positivos de A Felicidade das Pequenas Coisas são: sua bela fotografia, que nos coloca imersos naquele ambiente remoto; e sua valorização pela profissão do professor como um fator que muda vidas. Mais interessante do que essa troca do ser humano “civilizado” que vai aprender com nativos de uma região, é a beleza de como o ensino pode ser algo que une e transforma as pessoas, e de como seus alunos estão empenhados a aprender. Só é uma pena que seu final tenha uma resolução tão banal, e que caminha mais no lado do indivíduo que tem tudo e ainda recebeu em troca sábias lições daqueles mais humildes, do que pela trajetória de realidades distintas e das problemáticas de faltas de recurso.

Nota: 3/5

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