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CRÍTICA | “Belfast” é uma declaração de amor as lembranças da infância

Um dos longas favoritos a estatueta de melhor filme e de melhor roteiro do Oscar 2022, Belfast é uma crônica sobre pertencimento e amor, através da inocente visão de uma criança. Com roteiro e direção de Kenneth Branagh o longa conta com Jamie Dornan, Caitriona Balfe, Ciarán Hinds, Judi Dench e Jude Hill no elenco. 

Em Belfast assistimos tudo pela visão do pequeno Buddy, um álter ego do diretor do longa brilhantemente interpretado por Jude Hill. A câmera está sempre posicionada de baixo pra cima e podemos ver a vida acontecendo do seu ponto de vista. É constante os momentos em que ouvimos as informações através de sussurros, cenas que se passam através de portas entreabertas ou frestas de janelas, visões que representam a altura e olhar de Buddy. E talvez por isso o filme consiga justificar o fato de ser essencialmente vazio. 

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A obra se passa no verão de 1969 enquanto um grande conflito religioso entre protestantes e católicos assola a Irlanda do norte, no entanto a história decide não tomar partido ou dar alguma explicação sobre essa guerra iminente e por vários momentos a sensação que fica é que, apesar de ser uma visão infantil, o roteiro não quis entrar nas questões que parecem essenciais para a própria narrativa.

Embora esteja sendo fortemente comparado com o longa Roma (Afonso Cuaron) principalmente pelo preto e branco de Haris Zambarloukos (diretor de fotografia), consegui enxergar semelhanças mais fortes com O menino do pijama listrado (2008), outro filme que conta uma importante história através de um olhar infantil sem necessariamente explicar os fatos que permeiam a trama. Embora seja perceptível o perigo a que a família de Buddy está sujeita, como exibido na cena inicial ou através das notícias constantes reproduzidas na TV sempre ligada, a ausência dos fatos históricos tiram do telespectador a chance de entrar de cabeça na história e o longa acaba virando uma crônica distante sobre alguém que você não se importa. 

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Jamie Dornan e Caitriona Balfe entregam uma química forte que mostra a força e o compromisso de um casamento, enquanto ele é o pai tranquilo e divertido ela é mais responsável e hiperativa, mas em todas as cenas o amor está presente. Ou talvez essa seja a maneira que Buddy enxerga seus pais, como astros de cinema dando um show em uma festa. Esse mesmo amor está presente nas implicâncias diárias de seus avós um com o outro, ao mesmo tempo em que o afeto grita em todas as cenas.

Belfast é uma carta de amor as lembranças de infância, aos vizinhos que tornam a rua um lar, ao senso de pertencimento e gosto de casa que podem ser as melhores e mais saborosas memórias, mas ao mesmo tempo consegue ser uma história vazia, simplória e distante contando uma notícia sobre alguém que não lhe foi apresentado. Essa dualidade torna o filme maior do que ele realmente possa ser e acaba entregando melancolia, incerteza e medo ao mesmo tempo em que entrega amor, esperança e resistência. 

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