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CRÍTICA | Segredo Obscuro aborda pressão estética, mas entrega suspense previsível

Elisabeth Moss é uma excelente atriz, mas que viu seus últimos trabalhos não vingaram, e Segredo Obscuro parece seguir pelo mesmo caminho. Esse retrospecto recente na carreira de Moss se aproxima da sua personagem, Samantha Lake, mas por motivos diferentes. No filme, Samantha é atraída para o mundo glamoroso da magnata do bem-estar Zoe Shannon (Kate Hudson), apenas para descobrir uma verdade monstruosa sob a superfície aparentemente impecável.

A primeira coisa que se nota em Segredo Obscuro, e é impossível de não citar, é sua proximidade com A Substância (2024), tanto em tema, como nos caminhos em que segue para contar a sua história. A semelhança é tão evidente que a própria distribuidora do filme utilizou isso como peça de marketing, porém é evidente que o longa de 2026 não terá o mesmo impacto que o filme indicado ao Oscar.

Abordar a pressão estética em cima das mulheres não é algo novo de se abordar no cinema, porém vemos uma tendência de trazer esse tema para o gênero do horror, principalmente nessa era de excesso de cirurgias plásticas e canetas emagrecedoras. E é importante deixar frisado que a abordagem do tema em Segredo Obscuro vem a partir de dois homens: Jack Stanley, no roteiro, e Max Minghella, da direção. O que é um movimento válido, homens falarem sobre o tema, mas não nega o enviesamento do olhar que terá na construção da obra.

Segredo Obscuro se propõe a ser um filme de mistério. Um terror com pitadas de comédia, e são esses momentos cômicos que melhor funcionam no filme. O humor ácido, a ironia em cima da forma de enxergar o mundo foi uma boa escolha de roteiro, tornando, principalmente a protagonista, em uma pessoa hipócrita. Porém as maiores críticas chegam em momentos mais sérios, que tentam uma maior sobriedade, mas com textos rasos, sem uma crítica mais contundente (em certo momento do filme até fiquei me perguntando qual o ponto que o roteiro queria afirmar).

Se na crítica o filme fica no básico, o suspense não vai muito além. É comum ver em filmes de terror uma cena inicial de morte que vai repercutir durante o filme e seus desdobramentos, mas em Segredo Obscuro, além do caso ser esquecido em questão de minutos, a cena inicial revela muito do que está por vir.

Esse é o grande problema com a construção de mistério do filme: ele dá dicas grandes demais. Toda vez que algo que vai ser relevante no final aparece em cena, o longa faz questão de esfregar isso na cara do espectador, quebrando totalmente o clima de suspense. Além disso, ele também segue por caminhos muito comuns, ou seja, para quem tem um repertório cinematográfico mais vasto, consegue reconhecer os signos e perceber qual vai ser o caminho do início ao fim ainda antes da metade do longa.

Segredo Obscuro coloca na tela um debate relevante e bastante atual, mas falta um impulso, falta um querer mais do filme. Se ambienta em um futuro próximo, mas isso é plano de fundo e não explora as suas possibilidades. Cria a trama em torno de um mistério, mas dá pistas demais sobre ele. No seu segundo ato o filme engasga e ficamos com essa sensação que ele poderia sempre dar um passo a mais. Uma pena para as excelentes atrizes, que fazem um ótimo trabalho com o material que lhes é entregue.

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