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CRÍTICA | “Animais Perigosos” O terror no mar que mistura Tubarão com Jogos Mortais

Como se um filme de serial killer já não fosse suficientemente amedrontador, o filme Animais Perigosos adiciona o toque especial do maior vilão dos mares, o tubarão.

O roteirista australiano Nick Lepard, faz uma estreia triunfal no terror com a direção de Sean Byrne, que já trás The Devil ‘s Candy no seu currículo. Animais Perigosos traz o serial killer Tucker, interpretado por Jai Courtney, que é apaixonado por tubarões e os usa em seu modus operandi, os coloca no centro de seu espetáculo particular. Usando elementos de filmes slasher, o filme mostra que sabe muito bem aplicar a fórmula e que ainda funciona apesar da previsibilidade do gênero.

O filme flerta com subgêneros diferentes de terror, misturando elementos gráficos de sadismo e terror corporal, como se tivesse bebido da fonte de Pânico, Jogos Mortais e um pouco de Tubarão, amarrando tudo isso muito bem na isca de suspense.

Review of Dangerous Animals, the shark thriller starring Jai Courtney

Antes mesmo da ambientação, Tucker já faz a sua primeira vítima e solta uma bela frase de efeito com um sorriso sádico ao seu próximo objeto de tortura, como vimos no trailer.  O filme soube usar a trilha sonora com maestria, construiu uma tensão que deixa o telespectador segurando a respiração até a próxima cena, o que funcionava muito bem nas cenas de perseguição e nos sutis jumpscares.

As cenas aquáticas podem ser um grande desafio de filmagem, mas Sean Byrne conseguiu entregar cenas espetaculares que fazem parecer fáceis, com visão debaixo d’água, acima do navio, em direção a costa e vários ângulos que renderam uma ótima fotografia pro filme, que é algo clássico em filme de tubarão, mesmo não sendo exatamente essa a premissa. 

Film scene still – Images – Dangerous Animals (2025) – Films – OutNow

Já nas cenas de perseguição e resistência da protagonista Zephyr, interpretada por Hassie Harrison de Yellowstone, a cravam como uma final girl de respeito. A personagem é uma surfista desapegada que é sequestrada por Tucker no meio da madrugada, onde ela acorda presa no navio ao lado da personagem que vimos no começo do filme. Zephyr luta pela sobrevivência durante todo o filme, rendendo ótimas cenas de ação e perseguição onde ficamos tensos durante suas tentativas de fuga e nos frustramos quando ela é capturada novamente dando muito trabalho ao serial killer e uma química incrível entre Hassie Harrison e Jai Courtney, que conseguiram preencher a tela mesmo com a quantidade bastante limitada de personagens.

A atuação e expressão corporal de ambos os atores mostra que não é à toa que esse filme surpreendeu no festival de Cannes. Courtney vendeu bem o seu personagem de psicopata que faz qualquer coisa para conseguir realizar seu ritual do jeito que é idealizado e Harrison conseguiu a torcida de quem assiste e sente seu desespero pela sobrevivência. 

Dangerous Animals cast relied on their instincts in new shark thriller |  Digital Trends

Também presente nesse filme com uma participação tímida, há Joshua Heuston como Moses, que é um vendedor de imóveis ingênuo que se apaixona por Zephyr no dia anterior ao seu sequestro e tenta resgatá-la, mas também acaba se tornando uma presa. O seu momento de brilhar foi durante a investigação para descobrir o paradeiro de Zephyr, que poderia ter sido conduzido de uma maneira mais criativa e convincente. Apesar de ofuscado pelos protagonistas, Moses funciona bem como o personagem de bom coração que tenta ser o herói improvável.

Um ponto negativo do filme é o CGI do ataque dos tubarões, deixando parte dos ataques beirando o cômico para alguns telespectadores mais exigentes, perdendo um pouco do tom do filme.

Dangerous Animals (2025) - IMDb

Seja ele um filme de tubarões ou de serial killer, Animais Perigosos levanta uma provocação silenciosa sobre os limites da crueldade humana e a transformação da violência em espetáculo.

Ao fundir o instinto predatório da natureza com a perversidade racional do homem, o longa desafia o espectador a refletir sobre quem, de fato, são os verdadeiros “animais perigosos”. Embora não escape de tropeços técnicos e narrativos, o filme se sustenta por sua atmosfera tensa, boas atuações e uma direção segura. No fim, é uma obra que incomoda, entretém e deixa um rastro de inquietação como todo bom terror deve fazer.

O filme está em exibição nos cinemas de todo o Brasil.

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