CRÍTICA | “Quarteto Fantástico: Primeiros Passos” Um Recomeço Visualmente Ambicioso, Mas Ainda Preso ao Passado da Marvel

Após passar anos longe de casa, a primeira família da Marvel finalmente é introduzida no universo compartilhado do MCU, com Pedro Pascal, Vanessa Kirby, Ebon Moss-Bachrach e Joseph Quinn estrelando Quarteto Fantástico: Primeiros Passos. Com lançamento programado para quinta-feira, 24 de julho, o filme aposta em um visual retrô-futurista de cair o queixo, dinâmicas familiares movidas por uma química inegável e uma ameaça imbatível para sua estreia.

Quarteto Fantástico: Primeiros Passos revisita a origem da primeira família de heróis da Marvel, criada por Stan Lee e Jack Kirby em 1961. Na trama, após uma missão experimental expô-los a uma tempestade de radiação cósmica, quatro astronautas retornam à Terra com anomalias genéticas — ou, melhor dizendo, superpoderes. Agora, enquanto lidam com as transformações físicas e emocionais que os distanciam da vida comum, precisam conciliar a missão heroica com os laços familiares. A maior prova dessa união surge quando a equipe se vê diante de uma ameaça cósmica: Galactus, um devorador de mundos, e sua misteriosa arauta, a Surfista Prateada.

Retro Easter Egg Hunt: "The Fantastic Four: First Steps" Trailer Breakdown  - The Credits

Com 1 hora e 55 minutos de duração, o novo filme do Quarteto Fantástico é um respiro entre os últimos lançamentos da Marvel, graças à sua estética que se destaca pela individualidade e identidade muito bem-vinda, além do teor dramático da história familiar.

Ambientado quatro anos após o acidente cósmico, acompanhamos a equipe já estabelecida em seu universo, tanto como heróis quanto na vida pessoal. Assim como Superman, o filme dispensa a narrativa de origem e foca no maior desafio de sua carreira: um bebê entre Sue e Reed.

Sim, eu sei que o Galactus é a grande ameaça vilanesca do filme — afinal, ele é o devorador de mundos. Mas a imprevisibilidade que o pequeno Frankie carrega já é exibida em pequena escala aqui. O filme começa, literalmente, com o anúncio da gravidez, e esse acontecimento se estende por toda a trama, influenciando os arcos narrativos de todos os personagens. O medo e a ansiedade pelo desconhecido se fazem presentes através do cuidado excessivo do Sr. Fantástico, do fascínio de Galactus pelo bebê e até na cena pós-créditos. O que a Marvel nos mostra em Quarteto Fantástico: Primeiros Passos é que este filme foi feito não só para introduzir a equipe no universo, mas para nos alertar sobre o potencial de Frankie — e é aí que o título do filme se justifica.

Ainda assim, não é só de Frankie que o filme é feito. Quarteto Fantástico: Primeiros Passos se beneficia da química do elenco para criar uma dinâmica confortável e familiar para quem assiste, mesmo que seja seu primeiro filme juntos. É fácil acreditar que Pascal, Kirby, Moss-Bachrach e Quinn compartilham um laço indestrutível — uma conexão que só o convívio (fora compartilhar uma experiência cósmica única) pode fornecer. As melhores cenas, ainda que poucas, são quando o elenco principal está “à paisana”, fora de seus uniformes azuis e brancos.

O que não favorece ao time é o ritmo apressado da história no primeiro ato. Com ânsia de explicar tudo o que aconteceu nesses primeiros quatro anos, a montagem é acelerada demais, com cortes bruscos, como se fosse uma For You do TikTok — o que incomoda.

O filme não nos fornece tempo para respirar, nem para criar conexão com esses novos rostos, e depende 100% da personalidade dos atores (fora de seus personagens) para nos convencer. Deste modo todas as relações são mornas, pois não há combustão o suficiente para provar o vínculo entre os personagens, apenas o tédio da normalidade (para o bem e para o mal). Somente quando o filme encontra sua trama principal — o conflito com Galactus — é que ele dita um bom ritmo, encontra seu fluxo e nos permite apreciar cada momento construído. E, ironicamente, também é nesse momento que ele mergulha de cabeça no padrão Marvel da sua narrativa, se tornando até um pouco óbvio.

I Never Thought I'd Be This Excited To See the Silver Surfer, but the  Latest 'Fantastic Four: First Steps' Trailer Blew Me Away

A computação gráfica, felizmente, não deixa a desejar. Os rumores sobre a potência de Galactus se confirmam, mas o que não nos contaram é que a verdadeira estrela seria a Surfista Prateada, que hipnotiza. A adição dramática de seu passado e até um vínculo inesperado com o Tocha Humana foi uma grata surpresa.

Além do CGI, outro ponto que se destaca é o visual retrô-futurista, que lembra animações como Os Incríveis e até mesmo Os Jetsons — não só pela estética, mas também pelo cotidiano familiar. Contudo, por outro lado, esse visual acaba se tornando um mero artifício dispensável. A tecnologia é pouco explorada, principalmente através de Reed, limitando-se a pontos muito específicos da trama. Sendo assim, o filme é bonito? Sim. Mas falta criatividade e até um pouco de “molho”: a Marvel, mais uma vez, preferiu surfar no seguro.

Quanto aos personagens, é preciso deixar claro: essa é uma história de Sue e Reed. Se você esperava um destaque igualitário para os quatro, vai se frustrar. Apesar de um leve flerte com um possível romance, Ben (A Coisa) é reduzido ao “tio gente boa” — cuida da casa, faz compras, cozinha de vez em quando e levanta carros. Já Johnny (o Tocha Humana) perde completamente seu brilho encantador e sarcástico, deixando de ser o típico mulherengo irônico e engraçado para se tornar um bajulador sem graça. E veja bem: não se trata da atuação de Moss-Bachrach e Quinn, mas sim de como seus personagens foram escritos.

Um dos maiores destaques, certamente, vai para Vanessa Kirby, que protagoniza um dos momentos mais poderosos do filme: a temida cena do parto (além do desfecho final!). Kirby parece reunir todo o instinto materno da sua vida pessoal e se transforma em uma leoa com Sue Storm. A atriz se beneficia de uma personagem bem escrita e posicionada na trama — com voz política, sabedoria e uma presença cênica que só ela conseguiria entregar. Pedro Pascal também não fica atrás. Qualquer dúvida que o público pudesse ter sobre sua escalação desaparece no momento em que entendemos a profundidade dramática de seu personagem, que se martiriza pelo acidente cósmico e carrega o peso do mundo nas costas.

The Fantastic Four: First Steps (2025) - Photos - IMDb

Por fim, resta dizer que Quarteto Fantástico: Primeiros Passos é um filme legal, apenas. Diverte, traz bons momentos da equipe em ação, possui identidade visual bastante original, mas peca na ousadia. Se limita aos moldes pré-estabelecidos da Marvel e, por isso, não se permite ser grandioso.

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *