Baseado no último álbum lançado de The Weeknd, “Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes” chega aos cinemas amanhã (15) em todo o Brasil, trazendo o astro ao lado de nomes como Jenna Ortega e Barry Keoghan em um thriller cheio de mensagens subliminares e alguns sustos também.
A história apresenta a jornada de um músico (Tesfaye) atormentado pelos erros do passado, que se aventura ao lado de uma misteriosa estranha (Ortega) – uma jovem obcecada por seu trabalho. A relação ultrapassa os limites da admiração e da sanidade e deixa o cantor à beira de um colapso mental.

Buscando uma história de redenção e renovação, o filme é quase uma extensão visual e emocional do álbum de mesmo nome. Apesar das músicas não serem traduzidas literalmente dentro da narrativa, elas se fazem presentes dialogando com as turbulências emocionais do protagonista. Funcionando apenas como uma música diegética, a trilha sonora do álbum do cantor rege um caminho sentimental do personagem atormentado emocionalmente e dependente de toda migalha de atenção que recebe.
A escolha de recriar o palco da turnê que passou por São Paulo em setembro de 2024 foi inebriante. A cena ao mesmo tempo que o enaltece como uma grande estrela amada, expõe em outros momentos o seu declínio. Apesar disso, a “estética de show” acompanha o filme do início ao fim, exagera em filtros e efeitos de imagem, câmeras em 360º e transforma o filme em um vídeo clipe estendido. Bem, não é um demérito, mas também não é um ponto a favor.

Abel Tesfaye surpreende quando se coloca nesse lugar vulnerável do álbum. Durante toda a trama o seu personagem, que ganha seu nome, é exposto como alguém instável, superficial e incapaz de enxergar mulheres como seres humanos. O cantor, que deixou uma péssima impressão na série de tv The Idol, tira sarro das suas falhas e se redime com os fãs. Apesar de cair no erro de ser uma caricatura de si mesmo em determinados momentos, o saldo total é positivo, principalmente em momentos mais intensos, seja dramáticos ou de thriller.
Seus companheiros de tela, Ortega e Keoghan são boas adições a essa trama cheia de metáforas e analogias a vida pessoal do cantor. Enquanto Keoghan expõe o lado midiático e capitalista, que suga o artista, o coloca em risco, prioriza o lucro a pessoa – a qualquer custo, até de uma amizade e de manipulações emocionais. Já Ortega vem como uma analogia a essa persona que Abel quer se livrar, ela é um retrato vicioso e impulsivo dele mesmo. Expõe suas feridas, quer extrair dele a qualquer custo a verdade e depois incinera as mentiras.

Assim, o final de “Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes” nos mostra Abel se despedindo do seu alter-ego The Weeknd, se libertando das amarras, pede perdão a sua versão mais jovem e olha para um futuro sem máscaras. É uma pena que sua última declaração, reportada pela Entertainment Weekly, quebre um pouco a mensagem do filme. Afinal, ainda teremos mais The Weeknd? Não chegou a vez do Abel brilhar?
“Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes” é um thriller surpreendente, constrói uma atmosfera que envolve o espectador em um mundo de exageros, sabe dosar a tensão do drama ao mesmo tempo que sabe quando é necessário elevar a tensão do suspense psicológico. No fim, The Weeknd soube nos surpreender, mais uma vez, mas dessa vez positivamente.
Nota: 3,8/5








