Desde que foi anunciado, Pecadores, dirigido por Ryan Coogler e protagonizado por Michael B. Jordan, já tinha minha total atenção. Em um primeiro momento, eu nem sabia sobre o que seria a produção, mas, sendo um filme de terror com essa dupla, já valia a pena. E eu não poderia estar mais errado.
Isso porque, por mais que as minhas expectativas estivessem altas, Pecadores as extrapolou. Ao longo de seus quase 140 minutos, o filme faz com que os espectadores sintam todas as emoções possíveis e imagináveis. Nunca pensei que um “filme de vampiros” fosse me fazer rir, chorar e refletir em grandes proporções.

Mas Pecadores não é um filme de terror, tampouco de “vampiros”. É uma produção sobre cultura, sobre ancestralidade, sobre racismo, sobre história, sobre o peso da música na narração de fatos passados. Todas as escolhas de Ryan Coogler e de seus produtores foram extremamente certeiras.
O diretor não pesa a mão e não subestima a inteligência dos espectadores. Para contar a sua história, Coogler usa, inclusive, de metáforas, fatos históricos e inteligência. Inclusive, a primeira cena que me impactou foi a de abertura de Pecadores. Intencional ou não, a cena em questão me levou diretamente para a música This is America, de Childish Gambino. Ela, por sua vez, me transportou diretamente para o Massacre da igreja de Charleston – promovido por terroristas supremacistas brancos.

Porém, se essa cena foi pesada, há outros takes que utilizam a inteligência e movimentos de câmera para causar impacto. Uma que eu cito é quando aparece o casal de chineses Grace e Bo Chow, interpretados por Li Jun Li e Yao, respectivamente. Essa cena não demonstra, com clareza, a sociedade racista dos anos 1930, mas deixa subentendido, ao apresentar Grace Chow saindo de uma calçada com pessoas brancas e indo para uma calçada com negros. Ao escolher o plano-sequência, Ryan Coogler causa o impacto desejado.
Ademais, o diretor não poupa críticas à história racista dos Estados Unidos. Além dos fatos supracitados, também há menções a Jim Crow e a Ku Klux Klan – inclusive, é tão lindo o que acontece com alguns dos integrantes desse grupo terrorista… Achei foi pouco, queria mais.

Dito tudo isso, eu não posso deixar de dizer: Pecadores não é um filme de terror, como está sendo vendido. É um belo drama, principalmente sobre ancestralidade. Infelizmente, nós, brasileiros, em especial brancos, não nos conectamos tanto aos nossos antepassados. Felizmente, as culturas africana e asiática são diferentes e prestam respeito a tudo o que aqueles que existiram no passado viveram.
Sobre isso, digo: eu chorei assistindo uma das belas cenas de Pecadores. A cena em questão é quase uma ode à ancestralidade e à cultura de negros e chineses (fiz essa generalização para não me aprofundar e não dar spoilers). Utilizando o poder da música de transcender o tempo, diferentes representações culturais desses povos são apresentadas de forma dinâmica e envolvente. Você apenas não se emociona se tiver uma pedra no lugar do coração.

Eu poderia me estender e falar por horas sobre Pecadores. Para mim, o filme do ano até o momento e um forte candidato a ser indicado para o Oscar 2026. Talvez, o grande filme, a obra-prima até então, da carreira do excelente diretor Ryan Coogler. Se eu puder dar um conselho a vocês, este será: vão assistir a esta produção fantástica. Se possível, assistam no cinema. Se entreguem ao cinema, pois ele irá retribuir.
Há muito mais que eu poderia falar, pois é um filme extremamente rico em detalhes. No entanto, não me estenderei mais para não correr o risco de estragar possíveis surpresas ao longo da produção. Agora, largue esse celular e vá ao cinema mais próximo para assistir Pecadores. Você não vai se arrepender!
O filme estreia nesta quinta-feira, 17 de abril, nos cinemas.
Nota: 5/5 (ou mais, pois é incrível)








