Lançado no dia 7 de novembro de 2024, Ainda Estou Aqui é um longa metragem brasileiro e representa nosso país no Oscar. Dirigido por Walter Salles e com as atuações de Fernanda Torres e Selton Mello, Ainda Estou Aqui é uma adaptação do livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva.
Iniciando em dezembro de 1971, o filme se passa durante o governo Médici, na ditadura militar. Acompanhamos a família Paiva, com um foco especial em Eunice Paiva (Fernanda Torres) e seu marido, Rubens Paiva (Selton Mello). Rubens Paiva era engenheiro civil, e foi deputado do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Após o golpe militar, ocorrido em 1964, Rubens é exilado e foge do Brasil.

No início do longa, acompanhamos Rubens, que voltou para o Brasil e vive com sua esposa e seus cinco filhos. Mesmo sendo um modelo exemplar da família tradicional brasileira, o engenheiro foi levado pelos militares por suposta “atividade subversiva”. Não é um spoiler explicar que mais de 20 mil vidas foram perdidas durante essa época cruel da nossa história, e Rubens foi uma das vítimas da covardia militar.
Lançado apenas dois anos após o governo de um presidente que não apenas saudava a ditadura, mas que já mostrou desrespeito direto para com a história de Rubens Paiva, Ainda Estou Aqui é um vislumbre da história que tantos brasileiros insistem em negar. Podemos observar os efeitos desse crime pelos olhos de Eunice, que além de viver a tortura em primeira mão, é abandonada pelo governo para cuidar de sua família sem o suporte do marido.
É com esse enredo que vemos a beleza e sutileza não apenas da direção e roteiro, mas principalmente da atuação brilhante da já premiada Fernanda Torres. Com uma delicadeza que apenas as mais talentosas atrizes poderiam alcançar, podemos sentir a força e coragem de Eunice, que suporta todas as dores sem fraquejar para proteger a família.

Embora seja a única indicada ao Oscar, Fernanda não é a única estrela a brilhar nas mais de 2 horas de filme. Selton Mello revive nas telas o ex-deputado com esmero, e cada uma das crianças poderia concorrer por prêmios de atuação juvenil. É um show que poucos longas conseguem alcançar.
Além disso, todas as atuações não seriam aproveitadas sem a direção brilhante de Walter Salles, o roteiro inacreditável de Murilo Hauser e Heitor Lorega e a fotografia impecável de Adrian Teijido. Fora os quatro, existe uma equipe inteira que conseguiu transformar o livro de Marcelo Rubens Paiva em uma verdadeira obra prima da sétima arte.
Um ponto importante para a caracterização do filme é o design de produção dele, que consegue transportar o telespectador diretamente para os anos 1970. Walter Salles não poupou esforços para fechar ruas inteiras no Rio de Janeiro e colocar vários carros da época para rodar. Realmente, existem bilionários e bilionários.

Ainda Estou Aqui é uma pérola, não apenas no cinema nacional, mas para toda a categoria de cinebiografias históricas. É um dos filmes mais brilhantes que tive o prazer de ver (não falo a toa, assisti o filme três vezes no cinema), e não foi surpreendente ver o nome aparecer nas indicações para melhor filme, melhor filme estrangeiro e melhor atriz.
É um filme necessário para toda a sociedade brasileira, para que não esqueçamos os horrores da ditadura militar, das famílias que perderam entes queridos e da impunidade que presenteada para os torturadores e responsáveis. Ainda Estou Aqui está em cartaz em diversos cinemas ao redor do mundo e será disponibilizado na plataforma Globo Play.
Nota: 5/5








