A pressão da sociedade fomentada por uma expectativa irreal a respeito do papel da mulher sempre foi um objeto de análise muito bem aproveitado no cinema. Clássicos como Mulheres Perfeitas levantam esse tópico com uma pitada futurista distópica, Acompanhante Perfeita vem com o mesmo intuito, explorar através de uma tecnologia já acessível os limites extrapolados pelo homem com sede de controle.
No filme acompanhamos Iris (Sophie Thatcher) e Josh (Jack Quaid), um casal apaixonado, que decide se afastar do tumulto da cidade para relaxar com alguns amigos durante um fim de semana. No entanto, o que começa como uma escapada romântica logo se transforma em um thriller quando eventos perturbadores começam a ocorrer.

Com 1h37 de duração, Acompanhante Perfeita desenvolve um thriller cheio de personalidade, ainda que não inove dentro do gênero nem do tópico levantado em sua trama principal. Abordando a relação do homem com a tecnologia e como isso implica no papel da mulher na sociedade, o roteiro de Drew Hancock é preciso em construir personas reais em ambientes não tão distantes da atualidade. Levando-os ao extremo, o que ganhamos como um resultado é uma jornada surpreendente, sangrenta e inusitadamente…engraçada.
O humor de Acompanhante Perfeita é pontual e essencial para a história. Apostando no inesperado, o filme não se fantasia de um thriller “female revange“, ele abraça as possibilidades mais absurdas do cenário construido e faz do enredo algo mais atrativo, divertido e conscientemente crítico.

Escrito e dirigido por Drew Hancock, Acompanhante Perfeita é estrelado por Thatcher, Quaid, Lukas Gage, Megan Suri, Harvey Guillén e Rupert Friend, um elenco majoritariamente de “televisão”, o que é um ponto curioso a ser destacado. Esse é o primeiro trabalho de Hancock para o cinema, o cineasta tem uma vasta experiência na televisão e isso acaba refletindo na escolha do elenco e também na construção do seu roteiro.
A forma como demonstra necessidade de criar ganchos que ligam a um novo arco dramático, movido por algum acontecimento que tem uma roupagem de “cliffhanger” televiso, mostram que Hancock ainda não se desprendeu da televisão. Contudo, apesar de ser claramente perceptível para os mais atentos, não prejudica a obra como um todo. Na verdade, faz dela, uma coletânea de mini episódios que progridem a tensão de forma gradativa até seu ápice.

Ainda assim, vale mencionar que falta sutileza no texto de Acompanhante Perfeita. Por vezes Drew Hancock traz um roteiro didático, parecendo que quer ensinar o que precisava ficar subentendido, se explica demais e atrapalha a dinâmica fluída da conversação entre os personagens principais.
Contudo, se tem algo que não podemos falar mal é do elenco. Sophie Thatcher é a protagonista perfeita para Acompanhante Perfeita (rs)! Impactante em viver uma mulher aprisionada e sagaz ao “virar a chavinha” da sua realidade, Thatcher entrega uma performance corporal inacreditável, merecedora de todo reconhecimento.
Por mais que eu queira falar muito mais, Acompanhante Perfeita merece o sigilo, assim, a jornada ao assistir se torna mais prazerosa ao saboreá-la quando despimos cada camada de sua trama conforme a história evolui. Por isso, finalizo aconselhando a você que quer ver: procure menos informações possíveis sobre este filme. Tenha em mente apenas detalhes essenciais, essa obra é pra quem procura um thriller cômico, que utiliza da tecnologia para criticar uma cultura misógina, ao mesmo tempo que não poupa esforços para ir ao limite de seus personagens, provocando uma onda de acontecimentos surreais.
O filme estreia nesta quinta-feira, dia 6 de fevereiro, nos cinemas de todo o Brasil.
Nota: 3,8/5








