Encontros inesperados, momentos ridículos ou decisões absurdas, em Histórias para não contar, Cesc Gay nos traz cinco histórias ácidas e compassivas exploram a incapacidade de governar nossas próprias emoções.
É impossível assistir a Histórias para não contar e não lembrar do famoso filme argentino Relatos Selvagens, ambas as obras trabalham com uma comédia ácida dividida em pequenas histórias, porém com temáticas diferentes. O filme latino aborda a vingança e a fúria humana, enquanto o longa espanhol traz histórias do relacionamento entre as pessoas, da surpresa diante de como o outro se comporta entre o que você acha ser certo e errado.
O filme começa acertadamente com a história protagonizada por Anna Castillo e Chino Darín, trazendo uma trama cheia de confusão e paixão. ‘Quero ver você’ não é a história mais impactante apresentada, mas é a mais divertida, o que já prende o espectador e dá o tom das sequências.
Em seguida conhecemos a história protagonizada por Àlex Brendemühl, Antonio de la Torre e María León. Tendo a maior reviravolta entre as cinco tramas, ‘Sandra’ trata da nossa percepção de mundo e o julgamento que temos diante de situações vividas por outras pessoas. Considero esse capítulo o mais profundo do filme.

A terceira história, ‘Terças e Quintas’, abaixa o tom do filme. A trama não chega a ser ruim, porém depois de vir duas histórias com reviravoltas, ficamos na intenção de algo maior acontecer no capítulo, mas ele acaba de um modo anticlimático. Essa é a única que não traz a figura de um casal (apesar de tratar de relações românticas e sexuais), sendo protagonizado pelas três amigas Maribel Verdú, Alexandra Jiménez e Nora Navas.
‘Você me fez muito feliz nesses meses’ não volta a levantar o tom e traz mais uma história mediana. A trama traz um professor, interpretado por Jose Coronado, que vive um relacionamento com sua aluna, interpretada por Alejandra Onieva. O filme foge das problemáticas morais da relação e aposta mais em trazer como o romântico professor encontra a felicidade no meio da solitude, mas se encara com uma jovem que apenas estava vivendo uma paixão de verão.
Para finalizar, ‘Paris’ volta a colocar o filme lá em cima. Terminamos o longa dando risadas com o nervoso Quim Gutiérrez, a prática Verónica Echegui e o engraçadíssimo Brays Efe. A trama relativiza as percepções de traição, decepção e construção de vida de um casal de uma forma bem descontraída.

Histórias Para Não Contar se utiliza de um formato potente, mas também perigoso, para nos trazer cinco histórias que através do humor mergulham no comportamento e sentimentos humanos. O filme espanhol não se apresenta fora da curva, nem espetacular, mas é uma pedida divertida para momentos que pedem um filme descontraído e relaxante.
O filme estreia no dia 19 de dezembro nos cinemas.
NOTA: 3/5