Gladiador é até hoje um grande sucesso épico. 24 anos depois Ridley Scott retorna para dirigir a continuação de um dos seus maiores sucessos. Em Gladiador 2 Lucius (Paul Mescal) é levado de volta para Roma após seu exílio de 16 anos. De volta para casa ele precisará encarar o seu passado e o devastador presente de Roma.
A continuação, além da direção de Scott, conta com o retorno de David Franzoni no roteiro, desta vez ao lado de David Scarpa e Peter Craig. No primeiro ato da trama imaginamos que ela vai caminhar para um lugar comum, servindo como um espelho do primeiro filme, porém, apesar de ter suas semelhanças nos caminhos que segue, ele consegue inovar em alguns pontos. O filme também traz uma grandeza maior dentro dos jogos do Coliseu, utilizando bem a tecnologia ao seu favor para as cenas de combates.
Ainda sobre a direção de Ridley Scott, o cineasta vive de altos e baixos durante a sua carreira, e acredito que Gladiador 2 está no meio dentre elas. Não é uma obra que tem uma super direção, mas também não é uma obra que fica muito abaixo sendo considerada um fracasso. Scott retorna ao gênero épico e ao mesmo tempo em que consegue fazer o filme ser visualmente grandioso, ele também nos dá uma sensação de mesmice e inércia.

As atuações são inconstantes. Os imperadores, personagens de Joseph Quinn e Fred Hechinger tentam recriar a insanidade do personagem de Joaquin Phoenix no primeiro filme. Porém, ao contrário do precursor, os gêneros não nos dão uma sensação de perigo, e em certo ponto nem de insanidade, restando apenas dois personagens pastelões. Connie Nielsen reprisa sua personagem sem entregar uma atuação espetacular, mas sendo o suficiente para o que lhe é dado. Derek Jacobi também reprisa o seu papel como senador Gracchus, mas passa batido e sem brilho.
Os nomes de maiores destaques do filme são Pedro Pascal, Denzel Washington e Paul Mescal. Pascal interpreta um general que está em uma situação semelhante a Maximus no primeiro longa. Apesar da imponência, o personagem não brilha como deveria, e a culpa sobre isso não cai sob o ator, mas sim da função que o personagem serviu para a trama.
Paul Mescal chega com seu primeiro personagem de destaque em um blockbuster. O jovem ator tem dominado a tela nas produções que participou, que puxam mais para o drama e tem um tom “alternativo”. Em Gladiador 2, parece ter momentos que Mescal está desconfortável em cena. As cenas de ação são muito bem coreografadas e o protagonista conseguiu executá-las muito bem, mostrando que ele tem sim um potencial para os filmes mainstream.

Denzel Washington é quem verdadeiramente rouba a cena no filme. O ator vencedor do Oscar brilha toda vez que está na tela, trazendo camadas para o seu personagem que entra no jogo político de Roma. Uma figura por vezes acolhedora, mas quase sempre ameaçadora.
Gladiador 2 não alcança a maestria do seu antecessor, mas também não o envergonha. Se o filme de 2000 nos choca pelo seu final arrebatador, o filme de 2024 aposta em uma quebra do clímax épico para o confronto final. Na era de resgatar obras queridas no imaginário popular para fazer sequências que ninguém pediu, saímos da sala de cinema até satisfeitos em terem trazido o universo de Gladiador de volta.
NOTA: 3,5/5