Às vésperas do Dia dos Pais, o cinema nacional ganhará mais um longa trazendo em sua temática a retomada dos laços fraternos. Escrito e dirigido por Paulo Halm, “De Pai para Filho” estreia nesta quinta (8) com uma história que prometeu relação entre pai e filho, mas entregou um romance raso e hollywoodiano.
Em “De Pai para Filho” acompanhamos a história de José (Juan Paiva), um jovem de 24 anos, que deixa sua cidade natal para ir ao Rio de Janeiro após a morte de seu pai, Machado (Marco Ricca), ex-líder da famosa banda de rock Capa Preta, que morreu em um estado decadente. Carregando o trauma de abandono do pai, José começa a ter encontros com o fantasma de Machado após conhecer Kat (Valentina Vieira), uma encantadora menina de 12 anos que também perdeu o pai e que tinha aulas com Machado. Juntos, eles embarcam em uma jornada de cura, onde Kat ajuda José a perdoar seu pai e Machado se torna o guia de José para conquistar o amor de Dina (Miá Mello), a divertida mãe de Kat.
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Traçando uma relação de extemos opostos, Paulo Halm constrói um pai descolado, mas ausente, arrependido e amargurado pelos erros do passado, e um filho reprimido, careta e amargurado, para realizar uma dinâmica de aprendizado através de perspectivas diferentes. Contudo, isso só acontece na primeira parte da história. Halm esquece que esse filme é sobre uma reconciliação com o passado e prefere focar em um romance de vizinhos mal explorado.
Talvez sua vasta experiência em novelas tenha prejudicado a construção narrativa em “De Pai para Filho”, criando núcleos de personagens secundários que tomavam o protagonismo da história, deixando o que realmente importava, o pilar do roteiro, a esmo e sem o devido desenvolvimento dramático que faltava.

Uma das maiores decepções, além do dispersar do roteiro do seu propósito inicial, é o desperdício do talento de Juan Paiva em uma trama tão fraca. O carioca ainda é submetido a fazer um sotaque do interior de São Paulo que o ridiculariza a todo momento. Ao menos consegue brilhar nos poucos momentos dramáticos que existem, seja na aproximação com seu pai na versão fantasmagórica ou nas lembranças de sua mãe antes de seu trágico falecimento.
Ainda assim, vale mencionar que Marco Ricca se sai bem dentro dos moldes que foi inserido, apesar das limitações do roteiro. Já a atriz mirim Valentina Vieira é definitivamente um frescor e uma das poucas boas adições a trama. Carismática e eficiente em transitar entre as emoções juvenis e ingênuas de descoberta e também de tristeza, a atriz guarda a promessa de grandes feitos em um futuro próximo. A relação de sua personagem com a de Paiva foi algo que deveria ter sido o apoio ao arco narrativo principal e não o romance.

“De Pai para Filho” é um filme que parece ter nascido como um projeto para televisão. Não consegue se decidir o que é, se é um romance dramático ou uma história sobre luto, porque tudo que decide expor em tela é fraco e insuficiente. Os ensinamentos trocados ao longo da história são frívolos e não causam impacto algum devido a falta de atenção na construção do elo entre pai e filho. Além disso, a performance de Miá Melo não ajuda em nada, desconcertante e vergonhosa, a atriz parece estar em uma eterna esquete de Legendários.
Nota: 2/5








