CRÍTICA | “Fúria Primitiva” une cultura, fé e política em uma trama de vingança imbatível

Unindo religiosidade em uma trama de vingança, Fúria Primitiva (Monkey Man) é o longa de estreia de Dev Patel como diretor, protagonista, roteirista e produtor, que chega nesta quinta-feira (23) nos cinemas de todo o Brasil.

No filme acompanhamos a jornada de Kid (Patel), um jovem que ganha a vida em um clube de luta clandestino, onde, usando uma máscara de gorila, é brutalmente espancado todas as noites por lutadores mais populares. Após anos de raiva contida e uma vida muito dura, Kid encontra uma maneira de se infiltrar na elite da cidade. À medida que seu trauma de infância ressurge, ele não mede esforços para acertar as contas com os homens da alta sociedade que tiraram o pouco que ele tinha.

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Com um pouco mais de 2 horas de duração, Fúria Primitiva constrói uma jornada que referencia a clássicos de vinganças como Oldboy, de Park Chan Wook, a contemporâneos como John Wick. Mesmo com tantas referências, Patel consegue implementar sua identidade cultural e histórica, utilizando da Índia como um ambiente que funciona para debates sociais e políticos.

Brutal, sanguinário e impiedoso, a ação em Fúria Primitiva é de tirar o fôlego. O que se destaca, sem dúvida alguma, são as cenas de combate corpo a corpo fora do ringue. Em uma sequência entre Dev Patel e Sikandar Kher que impede o espectador de piscar os olhos, Patel dirige e protagoniza os combates com louvor, além da montagem que consegue ser tão dinâmica quanto a história que ele pretende contar.

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Além da vingança, Fúria Primitiva vem com dois arcos importantíssimos para a construção dramática da história. Primeiro, aquele que rege a motivação do protagonista, a expulsão de um povo de suas terras de forma violenta e desumana, arquitetada por um movimento político que utiliza da religião como ferramenta de manipulação. Neste momento da trama, Patel une a brutalidade de -aparentemente- cenas reais, com a doçura da relação que compartilhava com sua mãe e foi arrancada dele da forma mais cruel possível.

Acompanhando este arco narrativo, Patel insere na história uma comunidade de pessoas trans que se refugiam na religião para escapar de toda repressão e violência. Assim, podemos ver como Fúria Primitiva não é um filme que abomina a religião, pelo ao contrário, ele demonstra como o ser humano goza da fé, para o bem coletivo ou ao seu próprio. Logo, Fúria Primitiva mostra vertentes diferentes do mesmo tópico.

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Entre fé, vingança e identidade cultural, Fúria Primitiva constrói uma história crítica-social a respeito de minorias, liberdade religiosa e diretos básicos e dignos a um ser humano. Com a ousadia de querer levantar debates, que podem ser considerados tabus em tempos de guerra, Dev Patel tem a coragem necessária para falar de invasão de terras e apagamento de um povo.

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