CRÍTICA | Back to Black encanta nas músicas, mas não convence com a história

Para iniciar esta resenha eu gostaria de esclarecer que será uma análise sobre o filme. Isso porque, apesar de ouvir e gostar de Amy Winehouse, não conheço a história dela além dos fatos principais. Então, não farei um paralelo sobre a veracidade de quaisquer fatos.

Dito isso, quem, por algum acaso, ainda não conhece as músicas de Amy Winehouse e assistir ao filme Back to Black, dirigido pela diretora Sam Taylor-Johnson, corre um sério risco de se apaixonar pelo talento da cantora.

Back to Black conta a história nunca vista antes da ascensão precoce de Amy Winehouse à fama e do lançamento de seu inovador álbum de estúdio, “Back to Black”. Contado a partir da perspectiva de Amy, o filme traz um olhar sem apologias da mulher por trás do fenômeno e do relacionamento que inspirou um dos álbuns mais lendários de todos os tempos.

Falar da qualidade vocal de Amy Winehouse é chover no molhado e o filme demonstra exatamente isso. Inclusive, de fato, os momentos que mais me emocionaram e me deixaram encantado na cadeira foram quando as músicas eram tocadas.

Até porque, além da qualidade ímpar de suas canções, poder ver, em um paralelo, o momento no qual as músicas foram criadas e ler, ao mesmo tempo, a tradução das músicas dá um outro tom ao filme. Você consegue entender as nuances e imaginar os sentimentos os quais a cantora estava sentindo.

Marisa Abela e Sam Taylor-Johnson

Inclusive, quando falamos em filmes biográficos uma das grandes preocupações é sempre em relação ao elenco. Nisso, Taylor-Johnson parece ter acertado em cheio. A atriz Marisa Abela encanta e impressiona revivendo a talentosa cantora Amy Winehouse, não deixando a desejar em nenhum momento.

Por outro lado, a produção não convence no lado dramático-histórico da história. O filme retrata, mais ou menos, nove anos da vida da cantora. No entanto, as passagens de tempo, a conexão com algumas pessoas e a “localização” do espectador no momento no qual a história se passa no filme ficam um pouco confusos.

Ademais, ao longo de toda a produção fica o gostinho de “falta algo”. Parece que Sam Taylor-Johnson não teve coragem de se aprofundar na vida de Amy Winehouse e, na tentativa de homenageá-la, deixou alguma coisa de fora.

Esses problemas, somados a um “complexo” salvador dos personagens Blake, ex-namorado de Amy Winehouse, e do pai da protagonista, fazem com que o filme não convença. Não sei como a história, de fato, ocorreu, mas os dois personagens irritam em sua relação com a personagem principal.

Blake, interpretado por Jack O’Connell, é uma completa bagunça desde o primeiro momento em que aparece no filme. No entanto, o personagem parece ser mais “centrado” e “cabeça no lugar” do que Amy Winehouse. Isso pode ser real? Pode. Mas como é retratado durante o longa-metragem não convence.

Já o pai da cantora, interpretado por Eddie Marsan, vai na direção completamente oposta. Similar a um bastião da justiça e do amor pela filha, a “perfeição” do personagem beira o inacreditável. Para piorar, ver tudo o que Amy Winehouse enfrentou e passou faz com que seja impossível o personagem ser minimamente crível. 

Back to Black estreia hoje (16) nos cinemas de todo o Brasil.

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