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CRÍTICA | “O Dublê” coloca um holofote na classe (invisível) de trabalhadores do audiovisual

Do mesmo diretor de Trem-Bala, Atômica, John Wick e Deadpool 2, chega aos cinemas nesta quinta-feira (02), “O Dublê“, novo lançamento da Universal Pictures estrelado por Ryan Gosling e Emily Blunt. Se consagrando como o filme mais pessoal, até agora, do diretor David Leitch, que foi um dublê da vida real, o longa faz críticas em pontos pertinentes do mundo do audiovisual, enquanto faz o espectador se deleitar com referências do cinema.

Inspirado na série de sucesso dos anos 80, Duro na Queda, no filme conhecemos Colt Seavers (Gosling), um dublê que depois de um grave acidente que quase acabou com sua carreira, precisa descobrir o paradeiro de um astro de cinema desaparecido, desmascarar uma conspiração e tentar reconquistar o amor de sua vida enquanto ainda faz seu trabalho diário.

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Com orçamento de 125 milhões de dólares, David Leitch não mediu esforços em fazer de “O Dublê” uma experiência cinematográfica chamativa, explosiva e bombástica. Durante todas as 2 horas e 05 minutos de duração, o cineasta promove uma homenagem a classe trabalhadora dos dublês enquanto se regozija revivendo momentos icônicos da história do cinema ao mesmo tempo em que expõe o trabalho árduo de criá-los em um gigantesco set de filmagem.

Pelo fato de ter sido dublê, Leitch tem um certo tato ao trazer dilemas e discussões a respeito dos trabalhadores invisíveis do cinema. Reproduzindo falas regadas de estereótipos e preconceitos, com ajuda do roteiro de Drew Pearce, o diretor se sente confortável em fazer jus a importância dos dublês em seu novo filme, exatamente, como uma carta de amor – com muita ação, mistério e reviravoltas.

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Ryan Gosling se sente extremamente confortável em fazer, mais uma vez, um papel naturalmente cômico no cinema. Contudo, ao contrário do seu sucesso anterior como Ken, Gosling faz deste papel algo que se aproxima da realidade. Com frustrações, sonhos e garra, Colt Seavers é um personagem que conquista a atenção e a comoção da audiência logo nos seus primeiros minutos de tela.

A parceria entre Gosling e Emily Blunt é uma das melhores coisas de “O Dublê“. A dupla convence da paixão que compartilha, enquanto trocam flertes, piadas com duplo sentidos e momentos dignos de um “romance no escritório”. Isso se estende ao longo de sua trajetória como casal, com altos e baixos, até chegar na esperada (e emocionante) reconciliação a altura de um filme hollywoodiano.

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Talvez o maior problema de “O Dublê” seja as escolhas que ele decide tomar no desenvolvimento da sua história. Há muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, eventos são prolongados de forma demasiada e nos faz ter a sensação de que a produção é mais longa do que realmente é. O próprio filme brinca com isso em um dos seus diálogos finais e, ainda assim, comete o mesmo erro. A sede de ser icônico, inesquecível e grandioso cega David Leitch, que peca pelo exagero.

Por outro lado, há de ressaltar a genialidade de Drew Pearce ao montar um roteiro que brinca constantemente com a forma de fazer um filme dentro da história de seus personagens. Aqui, em “O Dublê“, realidade e cinema se fundem, e uma dinâmica cômica e atrativa é criada para o entretenimento do espectador.

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Entre críticas a inteligência artificial no audiovisual, desvalorização dos trabalhadores e citação de falas icônicas do cinema, “O Dublê” é um blockbuster que vale o ingresso. Seja pela diversão, pelo visual inebriante ou pelas referências que vão de diálogos a construção de cenas, o filme diverte e cativa ao ponto da imersão na história ser imediata e imperceptível.

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