CRÍTICA | “A Primeira Profecia” começa bem, desanda, mas agrada

Eu amo filme de terror, principalmente do subgênero slasher. Por outro lado, tenho resistência (leia-se medo) com outros subgêneros. Por isso, foi um desafio pessoal conseguir assistir “A Primeira Profecia” sem fechar os olhos nenhuma vez. Preciso dizer que concluí este desafio, mas não foi fácil.

Com 2 horas de duração ao todo, o filme se inicia quando uma jovem americana é enviada a Roma para começar uma vida de serviço à Igreja. Lá ela se depara com uma escuridão que a faz questionar sua própria fé e acaba desvendando uma aterrorizante conspiração que deseja provocar o nascimento do mal encarnado.

Dirigido pela estadunidense Arkasha Stevenson, o longa funciona como prelúdio do clássico “A Profecia”, de 1976 – um filme que eu não assisti. E o fato de não ter visto o filme dos anos 1970 não atrapalhou a minha experiência, pois a mais recente produção, mesmo sendo um prelúdio, funciona de forma independente.

Como ponto forte, “A Primeira Profecia” tem a facilidade de criar um clima aterrorizante, de tensão, no qual tudo parece que pode acontecer a qualquer momento. Por outro lado, a previsibilidade da produção, tanto nas questões de jumpscares quanto no desenvolvimento da trama são os pontos baixos.

O filme tem êxito em criar pavor, em aumentar a aura de suspense e pânico e, até mesmo, em elevar o debate sobre a possível falta de sanidade da protagonista. O longa também funciona como uma crítica à Igreja Católica e o seu fascínio pelo poder e o domínio das multidões. Até porque, a ideia de “A Primeira Profecia” gira em torno de criar o mal para fazer com que as pessoas retornem à igreja em busca do bem.

No entanto, desde antes da metade do filme, você consegue saber tudo o que vai acontecer em seu ápice. É possível prever tudo com bastante facilidade, fazendo com que não haja surpresa, apenas uma espera pela conclusão do longa. A última cena, inclusive, poderia ser tranquilamente o Samuel L. Jackson convidando uma personagem para a iniciativa Vingadores.

É lamentável o quanto “A Primeira Profecia” se perde no seu desenvolvimento. A trama me interessou, chamou a minha atenção, me manteve vidrado e com medo por boa parte da produção. No entanto, algumas escolhas erradas fez com que o potencial criado fosse desperdiçado, sendo um filme que pode ser reconhecido apenas como o prelúdio de “A Profecia”.

O filme está em exibição nos cinemas de todo o Brasil.

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