Com roteiro e direção de Kristoffer Borgli, chega aos cinemas brasileiros no dia 04 de abril, “O Homem dos Sonhos“, um thriller cômico-crítico estrelado pelo icônico Nicolas Cage. O novo longa da A24 combina elementos de comédia ácida e de terror, enquanto faz sutis críticas ao poder de ascensão e destruição na sociedade contemporânea.
Em “O Homem dos Sonhos” conhecemos Paul (Cage), um infeliz pai de família que vê sua vida virar de cabeça para baixo quando milhões de estranhos começam a vê-lo em seus sonhos. Quando suas aparições noturnas tomam um rumo de pesadelo, Paul é forçado a lidar com seu novo estrelato.

Com 102 minutos de duração, o filme produzido pelo cineasta Ari Aster conta com Cage, Julianne Nicholson, Michael Cera, Tim Meadows, Dylan Gelula e Dylan Baker no elenco. Marcando a estreia do norueguês Kristoffer Borgli em um longa metragem em inglês, a obra une diferentes gêneros para criar uma história única e instigante de ser assistida.
Com mais de 100 filmes em sua carreira, Nicolas Cage afirmou que esse é um dos melhores roteiros que leu nos últimos anos, e “provavelmente o melhor filme que já fiz”, de acordo com próprio ator. “O Homem dos Sonhos” carrega uma peculiaridade já vista em filmes que utilizam do terror para criticar a sociedade, no entanto, agora, com o carisma de Cage como um protagonista não-convencional.

Um “zé ninguém”, um rosto tão comum que é esquecido dentre a multidão. Utilizando da analogia que o próprio filme faz com as zebras em uma das aulas ministradas pelo protagonista, Paul é um homem com sede de reconhecimento enquanto é destinado para a camuflagem, invisibilidade social. Marcado por rejeição social, apagamento de suas ideias acadêmicas e relações estranhas (para dizer o mínimo), sua vida ganha uma virada quando se torna a pessoa mais popular do mundo…. no sonho delas.
O que começa com um “sonho” (literalmente) se tornando realidade, com a fama, a popularidade e o reconhecimento social de sua existência, se torna rapidamente em seu maior pesadelo (e dos outros). “O Homem dos Sonhos” faz uma clara analogia ao poder das redes sociais, como alguém pode ir do estrelato ao “cancelamento” em apenas um dislike. Como algo além de sua alçada pode transformá-lo em alguém com destaque, mas extremamente negativo. Neste momento toda sua camuflagem de zebra em um bando se desfaz e o transforma em um alvo para o isolamento, ódio e repúdio.

Utilizando do humor da situação extremamente ridícula e surreal, “O Homem dos Sonhos” também traz um light horror, um terror suave dentro as dinâmicas do contexto dos pesadelos que envolvem o protagonista. Nicolas Cage sabe transicionar muito bem entre suas duas personas nesta obra, entregando um homem patético e um homem impiedoso e assustador nos sonhos… como um Freddy Krueger contemporâneo.
Contudo, apesar do seu inicio promissor, com todo mistério a respeito deste fenômeno envolvendo Paul, o filme acaba por perder seu ritmo na fase final, soando monótono e desinteressante com a repetição previsível dos acontecimentos. Ainda que seja interessante o arco final, acredito que tenha faltado a espontaneidade apresentada no começo da história.
Ao fim, “O Homem dos Sonhos” parece das obras agora categorizadas como “Black Mirror“. Usando tecnologia para um futuro não tão distante para exibir o potencial da humanidade (para o pior), enquanto faz do personagem um exemplo do que a ganância, a soberba e a ilusão do estrelato podem fazer com quem confia que a opinião popular é imutável.
Nota: 3,5/5