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CRÍTICA | “A Matriarca” assertivamente dramático e cômico

Com um humor sombrio e uma relação espinhosa entre avó e neto, o longa-metragem de Matthew J. Saville, que chega aos cinemas brasileiros em 28 de março, é estrelado pela vencedora do Oscar Charlotte Rampling, que capta perfeitamente a essência de uma ice queen repleta de camadas dramáticas tragicômicas.

Em “A Matriarca” conhecemos Ruth (Rampling), uma ex-correspondente de guerra, agora entediada na aposentadoria com um problema com bebida e uma perna recentemente fraturada. Sam (George Ferrier) é seu neto rebelde, recentemente expulso do internato e sofrendo com a morte de sua mãe. Quando os dois são reunidos sob o mesmo teto, eles formam um vínculo inesperado.

Juniper (2021) - IMDb

Ao longo dos sues 94 minutos de duração, “A Matriarca” constrói uma narrativa envolta de um drama intenso e uma comédia ácida. A relação entre Ruth e Sam é o epicentro da trama, enquanto suas motivações pessoais são expostas em tela à medida em que o relacionamento dos dois é solidificado. Enquanto Ruth é uma mulher marcada por dores da vida e da guerra, exibindo isso em seus vícios e personalidade arredia, Sam é um jovem que não aprendeu a lidar com o luto e decide pelo isolamento e a fuga como métodos para tal. Os dois se encontram na dor e na esperança, enquanto o choque de suas personalidades garante momentos hilários ao espectador.

Charlotte Rampling (Duna: Parte 2) entrega uma performance impecável, no momento em que aparece em tela eu tive a certeza que ninguém poderia fazer como ela o papel de Ruth. Sua vivência não é escancarada ao público pelos diálogos e sim por suas atitudes que mostram o resultado de uma vida carente de afeto e empatia, mas com excesso de cicatrizes de tragédias e mortes. George Ferrier (Um de Nós Está Mentindo), por outro lado, representa a esperança a possibilidade da superação dessas dores. Por mais que aja como um adolescente normal que não sabe confrontar seus sentimentos, Ruth vê nele a possibilidade de ter um fim humanizado e com o afeto que lhe pereceu durante a vida.

Juniper (2021) - IMDb

Apesar de toda intensidade dramática que a história carrega, o humor ácido e seco que faz companhia ao gênero faz da história mais leve e surpreendente de ser assista. Ainda que você saiba, superficialmente, a intenção da conclusão da obra, o trajeto pelo qual a narrativa percorre até lá mostra ser inusitado, emocionante e arrebatador.

A Matriarca” tem uma direção de fotografia belíssima e dramática, apostando em captar as paisagens de tirar o fôlego da Nova Zelândia, o longa cria um contraste entre a natureza e o sofrimento humano, utilizando-o como uma ferramenta essencial para o desenvolvimento de seus personagens e da trama principal. Assim, a obra se consagra como uma história de despedida e encerramentos, sem apelar para o sentimentalismo, mas sim no extrair da dor nua e crua.

Lançado originalmente em 2021 no mercado internacional, “A Matriarca” chega ao Brasil nesta quinta-feira, dia 28 de março.

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