Após 11 anos do seu último trabalho juntos, Park Hyung-Sik e Park Shin-Hye retornam em grande estilo em novo drama da JTBC, distribuído mundialmente pela Netflix, “Médicos em Colapso” (Doctor Slump). Com uma trama melancólica, o k-drama aborda cuidados com a saúde mental enquanto traz a leveza de um primeiro amor.
Em “Médicos em Colapso” conhecemos Jung-woo (Park Hyung-sik), um aclamado cirurgião plástico, e Ha-neul (Park Shin-hye), uma anestesista dedicada. Na época do colégio os dois eram grandes rivais acadêmicos, mas, agora, que os dois vivem a maior crise em suas vidas pessoais e profissionais, eles se reencontram no fundo do poço e se ajudam a encontram um novo caminho para trihar.

Com 16 episódios, que estão sendo exibidos semanalmente pela Netflix, “Médicos em Colapso” inicia sua história de forma bastante dramática, inserindo os dois protagonistas em seus extremos e criando uma atmosfera melancólica. Abordando ambiente tóxico de trabalho, regado de misoginia e machismo, a história de Ha-neul segue um rumo que constrói uma mensagem de alerta quanto a saúde mental, que se perpetua até os minutos finais do drama.
Já Jung-woo, ainda que seja rodeado de um mistério de vingança e morte, representa (por incrível que parece) o lado mais leve da história. Até em seus momentos mais baixos, Park Hyung-sik protagoniza cenas que deixam o k-drama mais divertido de se assistir, deixando todo drama intenso de lado por um momento. Seu timing para comédia continua sendo, após todos esses anos, o seu maior aliado.
Os protagonistas acabam criando um equilíbrio divertido, indo de rivais a amigos e, por fim, um casal que se apoia. O contexto da trama acaba por nos apresentar um casal na faixa dos 30 anos, mas, devido as circunstâncias, acabam vivendo experiências de um primeiro namoro, rendendo cenas de um amor ingênuo, juvenil e de descoberta.

Por outro lado, quando o drama tenta inserir um grande antagonista ele falha por completo. Se o arco dos protagonistas de forma individual e como casal eram bem construídos, com motivações claras, o “vilão” foi raso, inconsistente e até ilógico. Não vou me estender para não dar spoilers sobre quem é essa pessoa, mas te garanto que quando você descobrir quem é essa pessoa não irá se surpreender. A surpresa (negativa) vem com seus motivos, que se você analisar e pensar bem, não fazem sentido algum.
E bem, isso é encerrado no episódio 13, depois disso os roteiristas não sabem muito bem como lidar com o drama e acabam pesando a mão em reflexões narradas pelos protagonistas, flashbacks e prolongam arcos dos personagens secundários que, em suma, caberiam facilmente tudo em apenas 1 episódio.

Uma coisa é certa, “Médicos em Colapso” acerta em criar coadjuvantes carismáticos e essenciais para o desenvolvimento da história principal. O núcleo familiar não acrescenta somente ao alivio cômico da história, mas desempenha um papel fundamental de compreensão e afeto entre os protagonistas, de forma bem real, com altos e baixos. Enquanto o casal secundário, vivido pelos atores Yoon Park e Kong Seong-Ha, vivem o seu clichê de segunda chance, um casal moderno para os parâmetros de doramas, com charme e a pitada de esperança que nunca é tarde para amar de novo.
“Médicos em Colapso” é realmente um drama espirituoso, cheio de esperança e sentimento de que tudo pode ser superado se você for rodeado por pessoas que te amam e te apoiam. Com clichês de comédia romântica inseridos em momentos pontuais, a trama não se torna frívola e se mantém firme em sua mensagem sobre saúde mental e relacionamentos saudáveis.
Nota: 4/5