8 anos após a última aparição de Po, o Grande Dragão Guerreiro está de volta em mais uma aventura. Com a direção da dupla Mike Mitchell e Stephanie Ma Stine, “Kung Fu Panda 4” chega aos cinemas nesta quinta, 21 de março, com uma aventura que replica todos os feitos dos lançamentos anteriores, contudo, sem a paixão necessária para nos fazer se importar pelos personagens.
Nesta sequência descobrimos que Po (Lúcio Mauro Filho) é escolhido para se tornar o Líder Espiritual do Vale da Paz, assim, abandonando o manto de herói que conquistou no longa anterior. Agora, ele precisa encontrar e treinar um novo Dragão Guerreiro antes de assumir a honrada posição, até que Zhen (Danni Suzuki) uma raposa com muitas habilidades, surge em sua vida de um modo nada convencional. Como se os desafios já não fossem o bastante, a Camaleoa (Taís Araujo), uma feiticeira perversa, tenta trazer de volta todos os vilões derrotados por Po do reino espiritual.

Com apenas 1 hora e 34 minutos de duração, “Kung Fu Panda 4” guarda consigo as mesmas qualidades e defeitos dos seus antecessores. Do mesmo modo que podemos contar com a atenção do design na construção do universo animado, explorando a vila da paz e cidades que entram em contraste com a sua calmaria, também temos a repetição dos questionamentos e motivações do protagonista.
Assim, esse eterno loop da narrativa apenas nos mostra que os envolvidos na franquia não desejam fazer esforço nenhum quanto a originalidade e criatividade, fixando sua identidade de modo que seja incontestável qualquer mudança generosa.

A falta dos 5 furiosos não é tão impactante como eu imaginei que seria. Po, por si só, é um protagonista muito forte e carismático, justificando a razão pelo qual a franquia está viva há 15 anos. Sua presença preenche o ambiente e até nos faz ignorar alguns detalhes inconvenientes na história de “Kung Fu Panda 4“.
No entanto, é necessário dizer como a nova personagem, Zhen, não convenceu em absolutamente nada. Incapaz de gerar qualquer tipo de conexão, empatia ou comoção, a raposa é escrita em apenas um tom, deixando seu ponto de virada sem peso algum na trama.

É preciso dizer que Camaleoa é uma vilã surpreendente, ainda que seu potencial tenha sido reduzido a obviedade, seu potencial é gigantesco e sua capacidade de gerar uma história mais surpreendente é palpável. Infelizmente, os envolvidos na produção deste longa ignoram isto e preferem navegar por águas calmas, rasas e já conhecidas.
Por outro lado, as cenas de ação melhoraram de modo exponencial. Mais intensas, com um risco de perigo maior, todos os confrontos são hipnotizantes. Nestes momentos, em específico, faz-se compreensível (e louvável) a utilização dos diretores da ferramenta de simulação de câmeras de ação em produções live-action.

“Kung Fu Panda 4” é um filme cheio de referências a cultura pop se você olhar com mais atenção, contudo, ele se consagra como uma sequência descartável para a franquia. O fato do protagonista abrir mão do seu manto de herói em tão pouco tempo, não cabe como motivação para sua nova missão. É incabível e até ilógico toda razão pelo qual esta história se apoia, haviam outras maneiras para se fazer o retorno triunfal de Po aos cinemas, mas Dreamworks preferiu replicar todos os moldes que já deram “certo” anteriormente.
Nota: 3/5








