CRÍTICA | “Não Abra!” promete originalidade mas decepciona com uma construção genérica

Trazendo a cultura indiana para o gênero do terror, “Não Abra!”  foi premiado no festival norte-americano South by Southwest (SXSW) e chega aos cinemas brasileiros em 2 de novembro. O mais novo lançamento da Imagem Filmes, consegue instigar interesse da audiência em figuras místicas do Hinduísmo, no entanto sua proposta se perde pela execução falha e monótona.

Em “Não Abra!”, Samidha (Megan Suri), uma adolescente que lida com os conflitos entre sua origem indiana e a vida nos EUA, acidentalmente liberta uma antiga entidade demoníaca de um jarro que jamais deveria ter sido aberto. À medida que o mal se alimenta dos seus piores medos, Sam precisará desvendar segredos ancestrais para tentar salvar sua vida e a de todos ao seu redor.
 
It Lives Inside - Film (2023) - MYmovies.it
It Lives Inside' Review: An Effective If Familiar Chiller

Em seu longa metragem de estreia, Bishal Dutta consegue apresentar com clareza costumes e a sua cultura, dando vida a história macabras que são passadas de geração em geração, fazendo uma relação com a audiência – que mesmo que não seja indiana, cresceu ouvindo histórias que nunca julgaria serem reais. Talvez, essa seja a única qualidade do filme… infelizmente.

Com 1 hora e 39 minutos de duração, “Não Abra!” constrói sua narrativa no desejo da protagonista de se encaixar em uma outra cultura – afim de se “encaixar” – ao tempo que ela encontra mais conexão com a sua própria ancestralidade do pior modo: quando sua vida corre perigo. Resumindo assim não tem como colocar defeitos nesta proposta, todavia, o elenco (nem o diretor) foi capaz de exibir conexões reais e que farão a audiência se importar e principalmente acreditar nos laços e nos conflitos. Tudo é raso demais, as vezes rápido demais, o que causa confusão com a prioridade do cineasta em traçar essa história.

It Lives Inside (2023) – Gateway Film Center

O terror promete trazer uma entidade impiedosa e sem misericórdia pelas almas de suas vítimas, mas na prática…não é bem assim. Se você espera mortes elaboradas e sustos apavorantes, não escolha esse filme. Porque, como nas relações interpessoais, as partes mais intensas do horror são suavizadas e acabam sendo na verdade…sem sal. Durante a maior parte do filme nada surpreende positivamente, nem as descobertas, nem as mortes que vemos. A exceção mora na construção do grande “vilão”, seu visual escondido nas sombras alimenta a expectativa que é atingida ao fim, fugindo de computação gráfica a escolha da identidade visual do antagonista seria excelente, senão fosse sua mobilidade estranha (que poderia ser omitida nas câmeras).

Infelizmente, “Não Abra!”  é uma decepção, o que deixa um gosto mais amargo é saber do potencial guardado das histórias elencadas a cultura indiana feita de um modo tão superficial e esquecível. Ainda que o elenco não seja tão ruim assim, eles não foram capazes de preencher lacunas presentes na produção, nem mesmo trazer mais impacto ao perigo que eles estão enfrentando.

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