One Piece: A Série é uma adaptação em live action do mangá mais vendido da história, o mangá de One Piece. Também tendo ganhado sua adaptação em anime (essa que já está passou dos mil episódios), os primeiros capítulos do mangá de One Piece foram adaptados em uma série de oito episódios, produzida pela Netflix, lançada no dia 31 de agosto de 2023, e tiveram participação direta do escritor original da história, o aclamado Eiichiro Oda.
Para resumir bem a história, One Piece conta as aventuras de Monkey D. Luffy (Iñaki Godoy), e sua tripulação: os Piratas do Chapéu de Palha. Luffy tem o sonho de ser pirata desde criança, quando comeu uma fruta que lhe deu os poderes de um homem-borracha (algo relativamente parecido com o Homem-Borracha da DC e com o dr. Reed Richards da Marvel), e seu objetivo final é alcançar o One Piece, um lendário tesouro deixado pelo rei dos piratas Gold Roger.
Ao lado de Zoro (Arata Mackenyu), Nami (Emily Rudd), Usopp (Jacob Gibson) e Sanji (Taz Skylar), o pirata Luffy irá se aventurar pelos mares do mundo fantástico de One Piece, em uma busca não apenas por tesouros lendários, mas também de libertar todos os povos oprimidos do mundo e criar amizades em todos os lugares em que seu chapéu de palha chega. A série retrata bem a primeira grande saga, conhecida como East Blue, quando os primeiros membros do bando se juntam antes de viajarem para a Grand Line, o misterioso mar onde se pode encontrar o tesouro de Roger.

Os oito episódios da série, todos com mais de 50 minutos de duração, mostram bem os mini-arcos de Romance Down, Orange Town, Syrup Village, Baratie e Arlong Park. São trabalhados o equivalente à 44 episódios do anime e 95 capítulos do mangá. As adaptações que a história sofreu são bastante interessantes, e, sabendo que Eiichiro Oda deveria aprovar as mudanças feitas, provavelmente são a forma mais “canônica” do enredo de Luffy.
Entre as maiores mudanças que a série sofreu, a história de Koby (Morgan Davies) foi a maior e também a mais bem-vinda. Para quem começou One Piece e assistiu uma parte considerável da história, sabe que Koby é o menino do cabelo rosa que aparece nos primeiros três episódios do anime e depois some, voltando para a história de Luffy apenas após o episódio 300. É interessante ver o que fizeram com o personagem, estudando bem um dos mais interessantes marinheiros do enredo.
Outra mudança das grandes foi a aparição e presença constante de Garp (Vincent Regan), vice-almirante e herói da marinha, além de personagem importante para o cânone de One Piece, com ligações importantes com os protagonistas da trama principal, e que se fez presente desde o primeiro episódio da série, algo completamente diferente do anime. Garp também teve uma mudança de personalidade, abandonando um pouco da diversão presente nas páginas do mangá e aumentando a seriedade e agressividade do vice-almirante.

Tirando isso, as adaptações feitas de uma mídia para a nova são apenas referentes à alguns personagens tendo suas aparições reduzidas ou aumentadas um pouco, um local onde uma batalha aconteceria sendo alteradas, algumas histórias secundárias sendo esquecidas e alguns horários em que batalhas acontecem sendo trocados. Isso significa que sim, é perceptível que as adaptações estão presentes em cada momento dos episódios, mas todas com uma razão importante para existir, ampliando as características positivas da série.
Sobre as atuações, o elenco da série manda muito bem. É engraçado até ver como foram escolhidos a dedo pessoas que realmente conseguiram abraçar esses personagens tão caricatos. De início, eu mesmo pensei que não fosse dar tão certo, afinal de contas, os personagens de One Piece são realmente muito caricatos. Grande erro o meu. Cada ator conseguiu viver o personagem e tornar ele crível de uma maneira única.
Aqui irei falar dos melhores atores, sendo eles o próprio Iñaki, que vive Luffy como ninguém mais poderia; Mackenyu, que faz uma performance mais sóbria e mais série de Zoro, algo muito mais próximo do que será o Zoro pós-timeskip; Morgan, que consegue dar uma personalidade forte para um personagem tão simples quando o Koby do início da série e, por fim, Emily Rudd, que dá vida à Nami maravilhosamente.
Saindo das atuações, falarei dos efeitos e da ambientação da série. Sobre o primeiro, em alguns momentos é estranho, e, infelizmente, para melhorar a credibilidade em cenas de luta, uma grande parte das brigas da série ocorrem à noite, em uma iluminação que por vezes dificulta um pouco a compreensão do que está acontecendo. E´ uma perca que One Piece teve nessa primeira temporada, porém é uma falha entre vários pontos positivos.
Sobre a ambientação, ela é engraçada. One Piece é um mundo fantástico demais, e o nosso mundo tende a ser chato, então fazer essa interpolação entre os dois deve ter sido o um trabalho realmente difícil, mas que foi alcançado de uma forma inusitada. One Piece: A Série, é muito mais bizarra que o anime consegue fazer parecer. Existe um certo body horror, principalmente nos personagens de Luffy e Buggy, dois personagens com poderes especiais. Zoro também cria algumas cenas que me deixaram um pouco surpreso com o andamento mais sério dos episódios, até mesmo sendo um pouco gore para a inocência que o anime tem.

Cidades como Shells Town e Syrup Village criam vida na ´série de uma forma completamente diferente, muito mais realista. Nosso querido bode do Going Merry, o barco do Chapéu de Palha, ficou bem esquisito e levemente assustador, deixando o tom fofo que a figura de proa original possuía. No geral, a Netflix conseguiu sim dar vida ao mundo de One Piece, de uma forma um pouco diferente do original, mas talvez seja a visão criativa que o próprio Oda pensou ser melhor para a série.
Para finalizar a crítica, indico One Piece: A Série para todo mundo, para os grandes fãs do anime, para os aficcionados que leram o mangá várias vezes, e, principalmente, para a pessoa que não tem coragem de assistir mais de mil episódios de pirata que estica. A série de One Piece foi planejada maravilhosamente, adapta o enredo dessa grande obra de forma primorosa e é incrível para quem já conhece, para quem já ouviu falar e para quem acabou de descobrir que existe tal desenho.
Nota: 4,9/5








