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CRÍTICA | “Depois de Ser Cinza” é uma história audaciosa sobre jornadas emocionais

Longa de estreia do diretor Eduardo Wannmacher, Depois de Ser Cinza é um filme de drama brasileiro que estreou em 2020 no 28º Providence Latin American Film Festival e finalmente chega aos cinemas no dia 03 de agosto de 2023.

Na história acompanhamos três mulheres que não se conhecem e que são ligadas por uma coisa: todas se relacionaram com Raul (João Campos), um sociólogo especializado em antropologia que sofre de intensas crises de ansiedade.

Isabel (Elisa Volpatto) é uma jovem artista plástica que sai do Brasil em busca de uma vida melhor na Croácia. Lá ela acaba sofrendo um grande trauma e se encontra sozinha num país que não é o seu e é nesse momento que conhece um homem ainda mais atormentado que ela: Raul.

Suzy (Branca Messina) é uma futura brilhante antropóloga, mas é impulsiva e autodestrutiva, que a levam a ser impulsiva. Nessa vontade de se conhecer, ela resolve largar tudo, inclusive os amigos (Raul incluso) para viajar aos confins do Brasil.

Já Manuela (Sílvia Lourenço), é uma psicoterapeuta de 40 anos que passou por um divórcio onde seu ex virou seu cunhado. Na sua vida profissional, ela vai muito bem, atém que um de seus pacientes (Raul), acaba entrando de maneira inesperada na sua vida.

O filme conta de forma não-linear como Raul interage na vida dessas mulheres e como elas os afetam. Primeiro ele conhece Suzi e se apaixona por ela. Eles têm um relacionamento muito conturbado por Suzy ter as suas questões e eles sempre acabam chapados de alguma droga ou muito bêbados. Raul conta que ele faz terapia por conta de suas crises de ansiedade. Suzy decide seguir seu caminho de autodescobrimento sem contar para ele que seu último encontro era uma despedida.

A terapeuta de Raul é Manuela até que ela o transfere para outro terapeuta para que eles continuem se relacionando e eles se casam. Eles passam muito tempo juntos e Raul realmente a ama. É um relacionamento de calmaria, completamente diferente do que ele tinha com Suzy, até que ele viaja para um congresso e uma coisa terrível acontece.

Depois de todo o drama e sofrimento mais uma vez, ele conhece Isabel na Croácia. Ambos quebrados e sem saber que rumo tomar na vida, mas que de uma forma muito estranha, um era exatamente o que o outro precisava. Eles partem numa viagem pela Croácia meio sem rumo, ambos extremamente quebrados.

O que pode parecer uma grande bagunça, de forma alguma torna o filme em algo difícil de entender graças ao trabalho de caracterização de João Campos, que nos faz compreender que o relacionamento dele com essas mulheres acontece em épocas diferentes, além de todo o trabalho de edição muito bem montado.

O filme é intimista, com diálogos bem desenvolvidos e com atuações corporais que muitas vezes falam muito mais do que o texto. A fotografia é belíssima e temos paisagens tanto no Brasil quanto na Croácia, onde boa parte do filme foi rodada.

Emocionante, lindo e tão intenso que chega a ser sufocante, Depois de Ser Cinza é doloroso de assistir, dá sim vontade de chorar. Ele tem a melancolia e o vazio como pontos centrais da história, mas isso não tira a beleza da jornada dos personagens e nos traz reflexões sobre como lidamos com nossas experiências humanas e nossas escolhas.

Depois de Ser Cinza chega aos cinemas no dia 03 de agosto de 2023.

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